fbpx 260711774397346
Diplomacia

Candidatos desconfiam do Iades

By 13 de dezembro de 2019 No Comments

Sala de reuniões no Ministério das Relações Exteriores (Daniella Duarte/MRE/Flickr).

Troca de bancas e desconfiança

É a primeira vez que o Iades realiza o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). A banca, fundada em 2009, foi escolhida pela direção do Instituto Rio Branco (IRBr), no primeiro ano do governo Bolsonaro, para substituir o Cebraspe, herdeiro do Cespe, tradicional banca do CACD. 

O IRBr, órgão vinculado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) e responsável pelas seleções de diplomatas, contratava anualmente, desde 2002, o Cebraspe para realização dos concursos. Segundo o IRBr, foram solicitadas propostas de 5 bancas para o concurso de 2019. Mas somente o Cebraspe e o Iades responderam, tendo este apresentado melhor proposta que aquele.

Cebraspe perde o CACD

A antiga banca do CACD não era imune a falhas e críticas. Atualmente, por exemplo, a instituição passa por instabilidades. Concluiu o processo de transição com o Cespe, mas perdeu o contrato para realização do Enem. Consequentemente, viu-se com a saúde financeira e a credibilidade ameaçadas.

Porém, o Cebraspe contava com 18 edições do CACD já realizadas. Logo, a troca de bancas gerou insegurança entre os candidatos, ainda que o ato pudesse representar uma evolução na gestão do concurso.

Economia

De fato, as primeiras novidades relacionadas ao Iades foram positivas. O governo economizou 44% na contratação da nova banca e a taxa de inscrição ficou 10% mais barata. Portanto, o Iades indicava ser capaz de realizar a seleção cobrando, de todo mundo, menos que a banca concorrente. 

Veja nosso post: Inscrições para o CACD 2019 são abertas com valor inferior ao de 2018.

Além disso, houve a manutenção do modelo de questões de “C ou E” na primeira fase, mas com uma diferença: a penalização por erros caiu pela metade. Uma inovação que não desconfigurou por completo o método que é utilizado no CACD desde 2003.

Outra novidade atraente foi a divulgação do gabarito e dos modelos das provas de primeira fase no mesmo dia da aplicação do exame. O Cebraspe os divulgava, ao menos, após dois dias. 

Primeira confusão

No entanto, outras situações preocuparam os candidatos. O primeiro fato mais preocupante foi, na verdade, uma sequência de atos administrativos, mal explicados, a poucos dias da primeira fase.  

  • No dia 26 de agosto, foi editada portaria anunciando os examinadores das provas objetivas. 
  • No dia 29, foi anunciada a substituição da diretora-geral do IRBr. 
  • No dia 2 de setembro, a portaria do dia 26 foi revogada e a composição da banca foi alterada. 
  • No dia 8 de setembro, foi realizada a primeira fase.

Apesar da estranheza dos procedimentos, o IRBr e o Iades não se pronunciaram sobre possíveis relações entre os atos administrativos, tampouco sobre as razões que justificaram a revogação da primeira portaria constando os examinadores.

Desorganização e anulação da correção da segunda fase

Depois das aplicações das provas de primeira e segunda fase, foram publicados relatos em redes sociais, como o Facebook, sobre falhas de procedimento na aplicação dos exames. 

A veracidade dos acontecimentos narrados não é confirmada, mas os relatos ganham credibilidade após o reconhecimento, por parte do Iades, da grave falha que ocasionou a anulação do resultado provisório da segunda fase.

 

Continuidade do CACD 2019

Candidatos colocam em questão a continuidade do concurso. No entanto, o Iades garantiu que fará nova correção das provas de segunda fase, respeitando os parâmetros do edital de abertura, e que o novo resultado será divulgado no dia 16 de dezembro.

Confira mais posts sobre o CACD

Leave a Reply