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Diplomacia

Dicas de quem passou no ITA e no CACD

By 8 de outubro de 2019 No Comments

Marcus Vinícius é engenheiro aerospacial e diplomata (Valter Campanato/Agência Brasil).

Engenheiro aerospacial e diplomata

O perfil de Marcus Vinícius da Costa Ramalho, 45 anos, é raramente encontrado. Marcus é engenheiro aerospacial e diplomata. São títulos que poucas pessoas conseguem obter, ainda que escolham apenas um dos dois para perseguir.

Em 1991, ele foi aprovado no vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em 2003, doze anos após o sucesso no vestibular, o já engenheiro formado também logrou êxito no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Tanto o vestibular, quanto o concurso, estão entre os mais disputados do Brasil.

Em 2003, foram realizados dois CACD. Marcus foi aprovado no segundo concurso. Veja o histórico da concorrência do CACD desde o primeiro concurso, neste post.

As melhores respostas no CACD

No Guia de Estudo de 2004, lançado no ano seguinte à aprovação de Marcus no CACD, foram selecionadas cinco das suas respostas escritas, para servir de exemplo aos novos candidatos. Foram selecionadas suas respostas para redação e tradução em inglês, nas quais atingiu as notas 45,50/50  e 18,5/20; para questão 4 de Geografia, 20/20; e para as questões 2 e 3 de Política Internacional, 16/20 e 18/20.

Experiência e carreira no Itamaraty

Atualmente, após 16 anos de carreira, Marcus é Conselheiro (o quarto dos seis níveis da hierarquia na carreira de diplomata) e Chefe da Divisão de Contenciosos Comerciais (DCCOM), em Brasília. Certamente, sua experiência como engenheiro aerospacial o auxiliou a ocupar essa função.

Antes de ingressar no Itamaraty, Marcus trabalhou por quase 7 anos na Embraer. A fabricante brasileira de aviões já foi alvo de contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Neste vídeo, é possível ver o diplomata atuando em coletiva de imprensa sobre questões relacionadas à OMC.

Entrevista ao EduQC

O chefe da DCCOM concedeu entrevista ao Canal no Youtube do EduQC, abordando algumas das principais questões de quem se interessa pela diplomacia como profissão. A entrevista pode ser conferida abaixo, em vídeo e em texto.

1) Quais são as maiores dificuldades do concurso? 

As ementas são muito variada: Português, História, Geografia, Economia, Direito [entre outras]. Então, uma primeira dificuldade que senti foi a de priorizar e de ordenar as matérias, de uma maneira que fosse a mais eficiente possível na preparação para o concurso. Uma segunda dificuldade que eu tinha era a falta de um interlocutor. A falta de alguém com quem eu pudesse discutir as matérias, discutir questões e testar em que medida eu estava realmente progredindo no aprendizado das matérias. Essas duas foram as principais dificuldades que eu acho que enfrentei quando decidi me preparar para o concurso do Itamaraty.

2) Quais são suas dicas a quem está se preparando?

Olha, uma dica que eu posso dar para quem vai se preparar para esse concurso, a primeira delas, é ter método de estudo. Método de estudo. Se organizar e não estudar de uma maneira aleatória, de uma maneira que não reflita uma organização na preparação. Então, para mim, a dica fundamental é ter método. Para os dias das semana e inclusive os finais de semana, quais matérias que eu iria estudar. Isso muito em função do que eu havia percebido no período anterior como dificuldades, lacunas, algo que eu precisava estudar, precisava aprender, para chegar no momento com a preparação mais ampla possível ou a melhor cobertura possível para fazer aquelas provas que iriam acontecer lá na frente. Então, método e organização, essa seria a primeira dica que eu daria.

A segunda seria, se eu for pensar em termos de matérias, pegando todo o escopo do concurso, primeira coisa: veja como está seu português. Se prepare da melhor maneira possível para que o seu português, tanto em termos de gramática quanto, posteriormente, em termos de produção escrita, seja o melhor possível. Porque isso vai resolver não só para uma matéria que é fundamental no concurso, que é o português, mas vai te ajudar em matérias como história, geografia, questões internacionais, para as quais a matéria prima fundamental é o português. Então, o bom português, para essa matérias, já é meio caminho andado.

3) O que você mais gosta na carreira de diplomata?

O que eu mais gosto na carreira diplomática? Bom, isso vai de cada um, né? Isso é muito pessoal. No meu caso, o que eu mais gosto é o fato da carreira possibilitar o diplomata trabalhar com temas muito variados, muito diferentes. Isso, para mim, é positivo. Ter que mudar de área de tempos em tempos. Num momento trabalhar com temas econômicos. Em outro momento, alguns anos depois, trabalhar com desarmamento, temas de segurança. Eu nunca trabalhei com isto, mas sei que em algum momento posso trabalhar, por exemplo, na área de meio ambiente. Essa diversidade temática, a mim, pelo menos, atrai muito.

E outra coisa que eu sempre busquei e que no Itamaraty é parte do ofício do diplomata é a possibilidade de poder trabalhar em diferentes lugares. Isto é até um pré requisito para progressão profissional: o diplomata ter tempo de exterior, além do tempo de trabalho no Brasil. Para mim, morar no exterior, sempre exerceu um fascínio muito grande. Já estive no exterior e estou a ponto de sair novamente para uma mais uma rodada no exterior. Isso ainda me fascina muito.

Então, a diversidade temática e a possibilidade de trabalhar em vários lugares, no Brasil e no exterior, isso, para mim, são os principais atrativos da carreira.

 

ITA e diplomacia

O EduQC foi fundado por uma dupla que também estudou no ITA: Jonas Fagundes e Victor Maia. O primeiro se formou em Engenharia da Computação e o segundo em Engenharia Civil-Aeronáutica.

Os dois foram responsáveis por conceber a Máquina de Aprovação, a melhor ferramente de sistematização de estudos disponível no mercado.

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