Engenharia

Edificações – Piso

By 27 de novembro de 2018 No Comments

1. Piso cerâmico

Os revestimentos cerâmicos, de um modo geral, apresentam uma série de vantagens ao uso em edificações, sendo as principais:

  • não propagam o fogo;
  • alta durabilidade;
  • baixa permeabilidade superficial;
  • mão-de-obra não precisa ser especializada;
  • excelente isolamento térmico; e
  • custo/benefício satisfatório.

O piso cerâmico pode ser usado em ambientes externos e internos e tem elevada resistência à água. No entanto, caso for colocado em área aberta, deve-se escolher um piso antiderrapante, pois é um piso muito escorregadio. Outra desvantagem é a de que a queda de objetos pode lascar ou quebrar o piso com facilidade.

a) Instalação

O método de execução da instalação de pisos cerâmicos preconiza que sejam realizadas as atividades por etapas na seguinte ordem.

  1. Verificação e preparo do substrato;
  2. Execução da camada de acabamento;
  3. Preparo e aplicação da argamassa colante;
  4. Assentamento da cerâmica;
  5. Execução de rejuntamento;
  6. Execução das juntas de movimentação.

b) Absorção de água

Um dos parâmetros de classificação das placas cerâmicas é a absorção de água, que tem influência direta sobre outras propriedades do produto. A resistência mecânica do produto, por exemplo, é tanto maior, quanto mais baixa for a absorção.

As placas cerâmicas para revestimentos são classificadas, em função da absorção de água, da seguinte maneira:

  • Porcelanatos: de baixa absorção e resistência mecânica alta (BIa, de 0 a 0,5%);
  • Grês: de baixa absorção e resistência mecânica alta (BIb, de 0,5 a 3%);
  • Semi-Grês: de média absorção e resistência mecânica média (BIIa, de 3 a 6%);
  • Semi-Porosos: de alta absorção e resistência mecânica baixa (BIIb, de 6 a 10%);
  • Porosos: de alta absorção e resistência mecânica baixa (BIII, acima de 10%).

É importante ressaltar que as placas cerâmicas classificadas como BIII, com absorção de água acima de 10%, são recomendadas para serem utilizadas como revestimento de parede (azulejo), justamente por possuírem alta absorção e, portanto, resistência mecânica reduzida.

c) Patologias

Os principais tipos de patologias que ocorrem em revestimentos cerâmicos são:

  • destacamentos ou descolamentos

A perda de aderência é um processo proveniente de falhas ou ruptura na interface entre as camadas do revestimento cerâmico, ou entre a base e o substrato (estrutura, alvenaria, etc). As principais causas para esse problema são: movimentação térmica (contração e dilatação), erros de preparo e aplicação da argamassa, infiltração de água e contaminação do tardoz (lado em contato com a argamassa) da peça por pó.

  • trincas, fissuras e gretamento

As trincas são rupturas que ocorrem no corpo da placa cerâmica devido à ação de esforços, provocando a separação de suas partes em aberturas de mais de 1 mm. Já a fissuração e o gretamento apresentam aberturas inferiores a 1 mm.

Suas causas principais são: movimentação térmica (contração e dilatação), deformação estrutural excessiva da edificação, ausência de detalhes construtivos (vergas, contra-vergas, pingadeiras, platibandas e juntas de movimentação) e retração da argamassa de fixação.

  • manchas

As manchas que surgem em revestimentos cerâmicos podem ser causadas por eflorescências, bolor, mancha d’água ou relativas ao próprio uso.

2. Porcelanato

O porcelanato é um revestimento cerâmico composto por materiais nobres e possui o processo de fabricação diferente dos pisos cerâmicos comuns, o que o torna mais resistente. Devido a sua característica de absorção (de água) próxima a zero, é necessário utilizar em seu assentamento argamassas especiais, ao invés das tradicionais massas de assentamento utilizadas para cerâmicas, pedras e granitos.

Dentre as suas vantagens, pode-se listar:

  • Variedade de opções de cores, tamanhos e texturas;
  • Baixa absorção de água;
  • Facilidade de limpeza;
  • Resistência e durabilidade;
  • Não necessita de mão-de-obra especializada para instalação;
  • Pode ser usado tanto em áreas internas quanto em externas;
  • O porcelanato acetinado apresenta a maior resistência a riscos e manchas, dentre os porcelanatos;
  • Piso frio (ideal para locais quentes); etc.

Já as suas desvantagens são:

  • O porcelanato polido é muito suscetível a manchas e é naturalmente escorregadio;
  • As peças inevitavelmente perdem o brilho com o tempo;
  • Contribui para a reverberação do som, ou seja, prejudica a acústica de um ambiente;
  • Propenso a rachaduras e lascas;
  • Piso frio (não recomendável para locais frios); etc.

3. Piso laminado de madeira

Pisos laminados de madeira são pisos constituídos de lâminas de madeira de reflorestamento com diferentes características e funções. A camada superior exibe a estampa decorativa artificial e vem protegida pelo overlay (resina de melamina).

As vantagens do piso laminado são as seguintes:

  • Fácil limpeza: um pano úmido é suficiente para limpá-lo;
  • Fácil instalação: As placas são de encaixe e coladas ao piso;
  • Ecologicamente correto: As placas são compostas por compensado que na maioria das vezes são árvores reflorestadas;
  • Baixo custo: O preço do piso laminado é muito mais baixo que o piso de madeira;
  • Excelente isolante térmico e acústico: O piso é instalado sobre mantas de polietileno que ajudam no isolamento térmico e acústico.

No entanto, esse tipo de tipo possui baixa resistência à umidade, muito menos ao contato direto e constante de água.

a) Classificação

A NBR 14.833, de 2014, determina que cada tipo de piso laminado deva apresentar sua classificação quanto à classe de tráfego e à resistência à abrasão. A seguir, apresenta-se a tabela dessa classificação.

A classificação de tráfego pode também ser feita por meio de símbolos, apresentados abaixo.

4. Granilite e Marmorite

Granilites e marmorites são pisos rígidos, geralmente polidos, moldados in loco. Suas composições levam grânulos de minerais (mármore, granito, quartzo e calcário, misturados ou não), cimento (comum ou branco), e areia. Esses pisos são aplicados após a delimitação das juntas de dilatação (em madeira, metal, plástico ou outro material).

Além disso, apresentam elevada resistência à abrasão, é impermeável, não absorvente e imune à ação de óleos e à maioria dos compostos orgânicos. Sua manutenção é relativamente simples, sendo passível de recuperação, através de limpeza superficial, preenchimento de trincas e fissuras, e polimento.

5. Granito e Mármore

O granito e o mármore são uns dos mais luxuosos e elegantes revestimentos disponíveis. Essas pedras ornamentais são muito utilizadas não só em pisos, mas também em bancadas e paredes.

O granito é uma rocha natural ígnea formada por três minerais (mica, feldspato e quartzo) responsáveis pela sua beleza, resistência e durabilidade. Muito indicado para ambientes internos e externos, pois não são riscados com facilidade, possuem baixa porosidade e absorvem pouca água.

O mármore é uma rocha natural metamórfica composta principalmente por minerais de calcita. É menos resistente e mais poroso que o granito. Por ser mais poroso é mais suscetível a manchas e pode absorver gordura.

O mármore deve ser utilizado em ambientes internos, porque sofre com a ação de intempéries e da poluição. Ele é indicado para áreas com tráfego leve de pessoas porque desgasta-se mais facilmente com o atrito de areias sobre o piso porque tem dureza baixa. Também deve ser evitado nas cozinhas porque absorve gordura pela sua porosidade.

O mármore também não tem boa resistência contra ácidos, podendo facilmente manchar e perder brilho quando exposto a materiais de limpeza pesados, vinagres e limão.

Para revestimento de paredes, o mármore é mais indicado por ser mais leve que o granito.

6. Piso vinílico

Os pisos vinílicos servem para revestir ambientes internos, com tráfego médio e intenso, como escolas, hospitais, lojas de varejo, escritórios, residências, entre outros.

Entre as suas principais vantagens estão a facilidade e rapidez de instalação, além da eliminação de sujeira e entulho na obra. Outra grande vantagem é que o piso vinílico pode ser instalado sobre pisos já existentes, tais como cerâmicos, granilite, epóxi, mármores e granitos, painel wall (em mezanino), contrapiso de argamassa, concreto industrial e sobre o próprio piso vinílico.

O piso vinílico também é considerado um produto sustentável porque é fabricado com materiais reciclados. Além disso, tem a capacidade de imitar outros materiais de forma bem convincente, como é o caso da madeira.

Já suas desvantagens, por outro lado, consistem de que esse tipo de piso não é recomendado para áreas externas, úmidas ou que tenham muito contato com água, como por exemplo, o banheiro. Também é recomendado que o material não tenha muitas ranhuras, pois isso dificulta a limpeza.

a) Instalação

A ABNT recomenda que as mantas vinilicas sejam instaladas por mão de obra especializada, pois as emendas exigem equipamento profissional. Para sua instalação, é necessário preceder com a seguinte ordem de execução:

  1. Teste de umidade do contrapiso;
  2. Preparação do contrapiso (substrato);
  3. Aplicação da argamassa colante sobre o contrapiso;
  4. Demarcação do piso;
  5. Paginação e colagem das mantas (placas).

7. Assoalho de tábuas corridas

A utilização de assoalhos é uma antiga prática construtiva, muito observada casarões coloniais. Atualmente novas formas no tratamento de sua película de revestimento foram criadas, para atender o padrão refinado atual, exigindo um maior apuro técnico nas diversas etapas de sua aplicação. Uma de suas vantagens é a incrível variedade de opções de madeira como ipê, jatobá, garapeira, marfim, sucupira, muiracatiara, cumarú e assim por diante.

a) Aspectos básicos

O assoalho é composto por tábuas corridas que tem de um lado a fêmea e do outro lado o macho, ocasionando o encaixe com maior firmeza, consequentemente maior durabilidade.

Tábuas corridas não precisam necessariamente ser tábuas paralelas, elas podem ser tábuas em diagonal sem tabeira, tábuas em diagonal em quatro painéis com tabeiras, tábuas em diagonal com tabeira e tábuas em espinha de peixe; conforme a figura abaixo.

Após a instalação é comum uma pequena movimentação das peças, provocando abertura de frestas e um pequeno desnível, que podem ser corrigidos na raspagem, calafetação e aplicação do verniz de acabamento. Com a raspagem do piso as eventuais emendas em tábuas passam despercebidas, porém uma raspagem muito grossa inicial diminui a espessura final. A raspagem não remove as manchas.

b) Instalação

Recomenda-se inicialmente que a instalação só deva ser feita após a colocação das janelas, vidros, soleiras e portas no cômodo em questão. Além disso, acrescenta-se que a instalação do piso de madeira só deva ser feita após a secagem total do contrapiso e que se proteja as janelas com algo que evite insolação direta sobre a madeira.

Existem dois métodos para colocação do assoalho, parafusado ou colado.

  • Parafusado

São utilizados parafusos para fixar a madeira em barrotes embutidos no contrapiso. Para fixar as tábuas, são chumbados no contrapiso barrotes em forma de trapézio na posição perpendicular ao sentido de colocação das tábuas e com a base maior voltada para baixo, bem alinhados e nivelados com os vãos preenchidos com argamassa.

As tábuas devem ficar bem prensadas umas às outras, e são feitos furos na parte de cima onde são colocados os parafusos. As cabeças dos parafusos são, então, tampadas com pequenas peças de madeira.

  • Colado

É usada cola para fixar a madeira diretamente no contrapiso ou outro piso já existente. As peças de madeira são fixadas individualmente sobre o contrapiso ou outro piso já existente nivelado e impermeabilizado, com cola branca especial para pisos de madeira, ou cola PU (poliuretano) isenta de água, seguindo um padrão de alinhamento.

8. Piso zero

O piso zero consiste em um tipo de piso que possui certas vantagens em comparação aos outros tipos de pisos e lajes. As vantagens desse estilo de piso estão em sua agilidade de aplicação, na montagem, na eliminação do contrapiso, na sua altura elevada e no nivelamento das formas do próximo pavimento. A instalação do piso zero serve para que a camada de contrapiso que estava presente no chão seja substituída, trazendo para a laje ou piso um melhor assentamento, e reduzindo a carga sobre ela aplicada.

O piso zero consiste em um modelo de execução de piso, normalmente de concreto armado, que possui uma forma com uma precisa planicidade e nivelamento. A colocação do piso zero permite que seja feita a eliminação da camada de contrapiso que estava no lugar da aplicação, fazendo com que esse piso tenha um melhor assentamento. Vale ressaltar que as aplicações do piso zero também permitem que seja feito o uso de texturas dos tipos rústicas ou lisas.

Usualmente, é possível ver o piso zero em diversos lugares, entre eles quadras poliesportivas, shoppings centers, helipontos, prédios residenciais e comerciais, estacionamentos ou pisos de subsolos, entre outros.

9. Argamassa colante

Argamassa é uma mistura de cimento, areia e água. Existem atualmente três tipos de argamassas colantes disponíveis no mercado e são denominadas AC-I, AC-II e AC-III. Cada tipo de argamassa serve para um determinado serviço e a escolha do melhor tipo a ser utilizado influenciará no desempenho e na qualidade.

 

10. Índice PEI

Os revestimentos cerâmicos também são classificados segundo teste de resistência do esmalte da peça ao desgaste por abrasão. Essa classificação é conhecida como Índice PEI, onde são indicados os ambientes mais adequados para sua aplicação.

11. Acessibilidade

Quanto à acessibilidade de pessoas a edificações, a sinalização tátil no piso pode ser do tipo de alerta ou direcional. Ambas devem ter cor contrastante com a do piso adjacente, e podem ser sobrepostas ou integradas ao piso existente. Quando sobrepostas, o desnível entre a superfície do piso existente e a superfície do piso implantado deve ser chanfrado e não exceder 2 mm e, quando integradas, não deve haver desnível.

Para a composição da sinalização tátil de alerta e direcional, sua aplicação deve atender às seguintes condições:

  1. quando houver mudança de direção entre duas ou mais linhas de sinalização tátil direcional, deve haver uma área de alerta indicando que existem alternativas de trajeto. Essas áreas de alerta devem ter dimensão proporcional à largura da sinalização tátil direcional, conforme figura a seguir;

  1. quando houver mudança de direção formando ângulo superior a 90°, a linha-guia deve ser sinalizada com piso tátil direcional, conforme figura a seguir;

  1. nas portas de elevadores, quando houver sinalização tátil direcional, esta deve encontrar a sinalização tátil de alerta, na direção da botoeira, conforme figura a seguir;