Engenharia

Edificações – Revestimentos

By 30 de novembro de 2018 No Comments

Esta aula tem como objetivo descrever os conceitos mais importantes concernentes a Revestimentos para concursos de engenharia civil. O material é baseado nos pontos chaves das NBR 9575, NBR 7200, NBR 13.818, NBR 13755, NBR 13749, NBR 13281, NBR 13753, NBR 14.081 e nos resumos preparados para consolidação do conhecimento da matéria ao longo dos anos.

Considerações Iniciais

Na construção civil, o revestimento é a camada externa que cobre a alvenaria para dar-lhe acabamento e aspecto visual agradável. Uma edificação pode ser considerada como constituída por diversos sistemas. Cada um desses sistemas (fundação, estruturas, vedação, revestimentos, instalações, etc.) pode ser analisado em separado, considerando a sua importância e peculiaridades mais significativas, para que em seguida possa ser estudado o comportamento global.

Todas as superfícies destinadas a receber revestimento de argamassa de areia serão chapiscadas com argamassa de cimento e areia.

O revestimento de argamassa de areia será constituído por camada única de argamassa industrializada ou pelas seguintes camadas contínuas, superpostas e uniformes, conforme ilustrado abaixo:

  • emboço (massa grossa), aplicado sobre a superfície chapiscada;
  • reboco (massa fina), aplicado sobre o emboço

É preciso ser previamente executadas faixas-mestras, de forma a garantir o desempenho perfeito do emboço, de forma plana e aprumada. A espessura do revestimento de argamassa tem de ser de acordo com as normas técnicas:

  • Paredes internas: 5 mm ≤ e ≤ 20 mm
  • Paredes externas: 20 mm ≤ e ≤ 30 mm
  • Tetos:     e ≤ 20 mm.

De acordo com a NBR 7200, quando se fizer uso de argamassas preparadas em obra, as bases de revestimento devem ter as seguintes idades mínimas:

  • 28 dias de idade para as estruturas de concreto e alvenarias armadas estruturais;
  • 14 dias de idade para alvenarias não armadas estruturais e alvenarias sem função estrutural de tijolos, blocos cerâmicos, blocos de concreto e concreto celular, admitindo-se que os blocos de concreto tenham sido curados durante pelo menos 28 dias antes da sua utilização;
  • 03 dias de idade do chapisco para aplicação do emboço ou camada única; para climas quentes e secos, com temperatura acima de 30°C, este prazo pode ser reduzido para dois dias;
  • 21 dias de idade para o emboço de argamassa de cal, para início dos serviços de reboco;
  • 07 dias de idade do emboço de argamassas mistas ou hidráulicas, para início dos serviços de reboco;
  • 21 dias de idade do revestimento de reboco ou camada única, para execução de acabamento decorativo.

O revestimento de argamassa pode ser de duas camadas (reboco e emboço) ou camada única (argamassa única).

Conforme as necessidades estéticas e de desempenho que venham a requerer, os projetistas dispõem de muitas opções e tipos de revestimentos que podem ser empregados nas suas composições. Os sistemas de revestimento podem partir de uma concepção relativamente simples (como uma fina película de pintura), até sistemas significativamente complexos. Os revestimentos cerâmicos de fachada, por exemplo, compõem-se de uma série de camadas, conforme se observa na figura abaixo.

Quanto a areia para argamassa de revestimento deve se observar que a fração de grãos com diâmetro de até 0,2 mm deve representar entre 10% e 25% (em massa) e a quantidade de material fino de granulometria inferior a 0,075 mm (peneira n° 200) não pode ultrapassar 5% (em massa). A dimensão máxima característica da areia tem de ser para:

  • Chapisco: 5 mm
  • Emboço: 3 mm
  • Reboco: 1 mm

As argamassas de revestimento deverão trazer na sua constituição teores consideráveis de cal, sendo comum o emprego dos traços 1:1:6, 1:2:9, 1:2,5:10 e 1:3:12 (cimento, cal e areia, em volume).

A capacidade de sucção de água pela base é importante pois, como a argamassa de emboço apresenta água em sua composição, durante a sua execução uma parte dela é perdida para o próprio ambiente, outra para a hidratação do cimento e, por fim, uma parcela é perdida para a base.

A argamassa com aditivo impermeabilizante é um tipo de impermeabiIização de argamassa dosada em obra, aplicada em substrato de alvenaria, constituída de areia, cimento, aditivo imperrneabilizante e água

Essa interação é responsável pelo surgimento de uma ancoragem física (ou mecânica) entre os componentes, de modo que a água presente na argamassa penetra nos poros da base, levando consigo o cimento e, após a sua hidratação, são criados embricamentos (espécies de “estacas” ou “agulhas”) que promovem a fixação entre os componentes. Fenômeno semelhante ocorre na interação entre uma argamassa adesiva e uma placa de revestimento (cerâmica, rocha, pastilha).

As contaminações da base ou do tardoz da cerâmica por sujeira, óleo, pó, graxa, engobe (caso específico da cerâmica) etc. impedem o contato da argamassa com a superfície, formando uma espécie de filme que, por conseqüência, reduz a área de contato.

Outro tipo de ancoragem que pode haver entre as camadas sucessivas é o processo químico, o qual contempla a formação de uma ligação química ou eletrostática entre a argamassa e o material a ser aderido. Esse é o mecanismo responsável pela aderência que se observa entre superfícies lisas, sem porosidade, ou polidas. Um bom exemplo é a colagem entre superfícies de vidro, que não possuem nenhuma porosidade.

O chapisco normalmente empregado é de traço em massa 1:3, de cimento e areia, podendo ser adicionada emulsão de polímeros PVA, acrílicos ou estirênicos para melhorar a aderência nos casos onde a base apresentar uma superfície muito lisa. Importante ressaltar a importância de se proceder à limpeza da base antes da aplicação do chapisco, por meio de escova de aço e jato de água, a fim de remover todo tipo de sujeira presente (película desmoldante, resto de fôrma etc.)

A argamassa tem de ser projetada energicamente, de baixo para cima contra a alvenaria a ser revestida, e aplicada com desempenadeira dentada sobre a estrutura de concreto.

O revestimento em chapisco se fará tanto nas superfícies verticais ou horizontais de concreto como também nas superfícies verticais de alvenaria, para posterior revestimento (emboço ou massa única). A espessura máxima do chapisco será de 5 mm.

O emboço somente poderá ser aplicado após a pega completa do chapisco. É constituído por uma camada de argamassa, nos traços a serem escolhidos, de acordo com as seguintes finalidades:

  • Externo: traço 1:1:4     de cimento, cal em pasta e areia grossa, em volume;
  • Interno: traço 1:1:6 de cimento, cal em pasta e areia grossa, em volume.

Não deverá ser utilizada areia com presença de sais para evitar futuras patologias. Influem diretamente na permeabilidade das argamassas de revestimento externo: Quantidade de areia e módulo de finura, a forma dos grãos, a distribuição granulométrica, o teor de argila e materiais pulverulentos.

A aplicação terá de ser feita sobre superfície previamente umedecida. A espessura não poderá exceder a 2 cm. Deverá resultar em superfície áspera, a fim de possibilitar e facilitar a aderência do reboco.

O assentamento de um acabamento decorativo (placa de rocha, cerâmica, pastilha etc.) sobre o emboço ou contrapisco é feito através da utilização de uma argamassa cuja função é manter essas camadas unidas, daí porque é conhecida como argamassa adesiva. Ela pode ser industrializada, denominada argamassa colante, ou fabricada na obra.

As argamassas industrializadas representam um avanço em relação às tradicionais, abrindo possibilidade de se utilizar um processo de execução mais produtivo, com o uso de desempenadeira dentada, em decorrência da sua elevada resistência de aderência e maior poder de retenção de água.

A resistência de aderência representa a capacidade da argamassa de suportar esforços de tração direta normais ao plano de referência, e tangenciais de cisalhamento.

Com relação à capacidade de retenção de água, a propriedade da argamassa colante associada a ela é o tempo em aberto, definido como o período decorrido desde a extensão da argamassa na parede até o momento em que ela não mais apresenta capacidade de ancorar satisfatoriamente a cerâmica, proporcionando uma resistência de aderência inferior a 0,5 MPa. O tempo em aberto é função também do ambiente que cerca a produção, sendo tanto menor quanto maior for a insolação e a ventilação.

Da mesma forma que o emboço, as argamassas de assentamento também devem apresentar uma certa deformabilidade para aliviar as tensões de movimentações presentes no revestimento. Porém, da mesma forma, o termo argamassa “flexível” utilizado por alguns fabricantes é pouco apropriado, uma vez que pode servir como uma orientação equivocada acerca da real capacidade de deformação do material. O Revestimento com espessura superior a 2,5 cm deve ser executado em duas camadas.

É indispensável dar total atenção aos seguintes detalhes construtivos:

  • Reforços com tela de aço zincado: a ser obrigatoriamente feitos nos encontros da alvenaria com a estrutura (excluindo-se os casos de alvenaria estrutural). Devem ser realizados no pavimento sobre pilotis e nos dois ou três últimos andares do prédio. A tela tem de ser chumbada no substrato (alvenaria e estrutura com pinos, grampos etc.). É recomendável o uso, sob a tela, de fita de polietileno com largura de 7,5 cm recobrindo o encontro da alvenaria com a estrutura). Utilizar tela metálica onde o revestimento tiver espessura superior a 3 cm.
  • juntas     de dilatação: as juntas horizontais devem estar na divisa de cada andar e as verticais a cada 6 m para panos maiores que 24 m2. Recomenda-se o posicionamento das juntas nos encontros da alvenaria com concreto; no encontro do revestimento de argamassa com o de     outro tipo; no nível dos peitoris e das vergas de janela; superpondo às juntas de dilatação (juntas de trabalho) da base (substrato); acompanhando as juntas de dilatação estruturais. A profundidade da junta em argamassa, a receber acabamento pintado, tem de ser a metade da espessura do revestimento, sendo pelo menos de 1,5 cm, porém garantindo o mínimo de 1 cm de revestimento no fundo da junta. A sua largura pode ser de     1,5 cm a 2 cm. É necessário realizar a junta imediatamente após o término da execução do painel de revestimento (argamassa única ou emboço).
  • O revestimento de uma fachada tem de ser interrompido     a cerca de 5     cm das quinas existentes. Ao revestir a fachada adjacente, é preciso completar simultaneamente o revestimento remanescente da faixa de 5 cm da fachada do outro lado do canto externo.
  • A proteção das áreas horizontais de fachada é feita por elementos construtivos, tais como membranas impermeabilizantes, rufos ou     peitoris de pedra.

Recomenda-se que sejam feitos, no início da aplicação, os seguintes testes no revestimento:

  • Resistência de aderência à tração por meio de ensaio de arrancamento, no qual o limite de resistência de aderência à tração deve ser no mínimo 0,3 MPa;
  • Permeabilidade, utilizando-se como equipamento uma câmara aspersora de água sob pressão na face revestida da fachada, que até 8 h não pode produzir umidade no lado interno da alvenaria.

O reboco só poderá ser aplicado 24 h após a pega completa do emboço, e depois do assentamento dos peitoris e marcos.

Nos locais expostos à ação direta e intensa do sol ou do vento, o reboco deverá ser protegido de forma a impedir que a sua secagem se processe muito rápido.

Na execução de revestimento de paredes e tetos, as argamassas devem ser misturadas por processo mecanizado ou, em casos excepcionais, por processo manual, até obtenção de massa perfeitamente homogeneizada. No processo de mistura manual, devem ser preparados volumes de argamassa inferiores a 0,05 m3 de cada vez.

O reboco rústico é executado com argamassa no traço 1:4 de cimento e areia, adicionando corante, se especificado. É aplicado com a mesma técnica do chapisco. A aplicação, para obter uniformidade no acabamento, poderá ser feita projetando a argamassa através de uma peneira.

No tratamento de concreto aparente, a aplicação de nata de cimento aditivado com polímeros acrílicos, que tem como objetivo a obturação das porosidades, bolhas e furos do concreto, cujo excedente será lixado até atingir o concreto original de forma a permitir a formação da película do verniz, quando ele for aplicado, é denominada estucamento.

Argamassa fina industrializada para fachadas trata-se de material para reboco hidrófugo, impermeabilizado, que protege as fachadas das construções contra a penetração de água de chuva. A argamassa é composta de areia classificada, cal hidratada, cimento portland e aditivo impermeabilizante que dá qualidades hidrófugas ao material. Sua cor é clara, quase branca. Somente 30 dias após a sua aplicação, a argamassa fina poderá ser pintada com tinta PVA ou acrílica.

As vesículas surgem geralmente no reboco e são causadas por uma série de fatores, como a existência de pedras de cal não completamente extintas, matéria orgânica contida nos agregados, torrões de argila dispersos na argamassa, ou outras impurezas, como mica, pirita e torrões ferruginosos.

As vesículas decorrentes dos problemas apresentados pela cal hidratada surgem em pequenos pontos localizados do revestimento, incham progressivamente e acabam destacando a pintura (deixando o reboco aparente). O fenômeno acontece após a aplicação do revestimento e em um prazo de três meses.

A pasta de gesso é aplicada diretamente como revestimento em paredes internas executadas com blocos, seja utilizado simplesmente como pasta obtida pelo amassamento do gesso com água, seja em mistura com areia, sob a forma de argamassa. O material não se presta, normalmente, para aplicações exteriores por se deteriorar em consequência da solubilização na água.

O gesso para revestimento não poderá conter menos de 60% de gesso calcinado. É fornecido sob a forma de pó branco, de elevada finura, cuja densidade aparente varia de 0,7 a 1,0. A pega do gesso é acompanhada de elevação de temperatura, por ser a hidratação uma reação exotérmica.

Apresenta como propriedades: endurecimento rápido, bom isolante térmico e acústico, plasticidade da pasta fresca e lisura da superfície endurecida. O processo de pega varia de cerca de 4min(inicio) a 25 min(fim).

As pastas e argamassas de gesso aderem muito bem ao tijolo e aderem mal às superfícies de madeira. Pode-se executar gesso armado como se faz argamassa armada de cimento, porém a armadura deve ser de ferro galvanizado.

O gesso confere aos revestimentos considerável resistência ao fogo, além de dispensar chapisco, emboço ou reboco. A espessura mediado revestimento em gesso é de até 5 mm. Mais espessa, torna-se antieconômica e tende a trincar-se.

Desde há muito tempo (4.000 a.C., no Egito) as placas cerâmicas vêm sendo empregadas como revestimento de edificações, tanto para interiores como para exteriores.

Inicialmente aderidas à base por meio de pastas ricas em cimento, aplicadas no sistema “pão e manteiga”, com o passar do tempo o procedimento para assentamento das placas evoluiu para o emprego de argamassas colantes industrializadas, providas com adições que lhes conferem maior capacidade de aderência, e desempenadeira dentada, para uma maior produtividade dos operários.

Dentre algumas das vantagens para o emprego deste tipo de revestimento, pode-se citar: valorização do imóvel (efeito estético), conforto térmico e acústico (comparado com pintura, por exemplo), leveza (comparado com placas de rocha, por exemplo) e, sobretudo, durabilidade.

A questão da durabilidade, entretanto, está associada a aspectos relacionados com os procedimentos de produção, com a deformabilidade da estrutura, componentes e os devidos cuidados relacionados (adoção de juntas de movimentação horizontais e verticais, telas metálicas no interior do emboço em pontos considerados críticos etc.), e com a correta especificação dos materiais adotados, o que envolve adequação às condições de projeto, à produção, além da definição das atividades de controle.

Uma parede revestida com placas cerâmicas é formada basicamente por 6 camadas de materiais diferentes: base, chapisco, emboço, argamassa colante, rejunte, revestimento cerâmico.

O tipo de adesivo a ser utilizado depende do ambiente em que a cerâmica está sendo assentado. A norma brasileira NBR 14081 específica para paredes internas a argamassa colante industrializada do tipo AC-I.

Ao revestir uma parede com placas cerâmicas, utilizando argamassa colante, deve-se verificar sempre o tempo de mistura da argamassa após adição de água.

Uma boa técnica executiva para a união dos elementos de alvenaria (tijolos ou blocos) é deixar de um dia para o outro (descanso da mistura) a mistura da cal hidratada com areia úmida com a finalidade de melhorar a mistura final. Com isso a mistura final, após a adição de cimento, terá melhor plasticidade e aderência.

A argamassa para rejuntamento, ou simplesmente rejunte, é utilizada no preenchimento das juntas entre duas placas cerâmicas consecutivas, e tem por função apoiar e proteger as arestas das placas cerâmicas. Da mesma forma que para a argamassa colante, o tipo de rejunte a ser usado depende do ambiente onde será aplicado.

Em paredes expostas a ação da umidade, como por exemplo box de banheiro, deve ser usado rejunte impermeável, para evitar que a água penetre para o interior da parede, aumentando, com isto, a durabilidade do revestimento e evitando a eflorescência.

Revestimentos cerâmicos para paredes, conhecidos popularmente por azulejos, são placas cerâmicas fabricadas a partir de uma mistura de argila. As costas das placas possuem garras, para auxiliar na aderência com a superfície onde serão assentadas, e são denominadas de tardoz.

As Juntas de Assentamento também conhecidas por rejunte, são espaços entre as placas cerâmicas que compõem o revestimento, preenchidas com material flexível, chamado de argamassa para rejuntamento. A largura das juntas depende do tamanho da placa cerâmica e, para paredes internas, a norma brasileira (NBR 8214) estabelece os seguintes valores mínimos:

O preenchimento das juntas de assentamento pode ser iniciado no mínimo 3 dias após concluído o assentamento das placas.

As Juntas de Movimentação são espaços que dividem a parede revestida em painéis. Iniciam-se no encontro entre duas placas cerâmicas e atravessam a camada de emboço. Estas juntas, algumas vezes, são chamadas de juntas de expansão/contração.

De acordo com a norma NBR 8214, em paredes internas devem ser executadas juntas de movimentação quando:

  • A área da parede for > 32 m2;
  • O comprimento da parede for > 8 m;
  • No encontro entre duas paredes;
  • No encontro da parede com pilares;
  • No encontro com outros tipos de revestimento;
  • Quando houver mudança de materiais que compõem a parede;
  • Interfaces entre estrutura de concreto e alvenaria.

Para paredes internas, a norma brasileira (NBR 8214) recomenda as seguintes larguras mínimas para as juntas de movimentação:

O preenchimento da junta se inicia após o endurecimento da argamassa colante e a limpeza das juntas.

O material da junta de movimentação deve ser altamente compressível, podendo ser usado isopor, mangueira plástica, corda betumada, etc. A junta deverá ser vedada com um selante flexível, com características adequadas às condições de exposição e às deformações esperadas.

Na Preparação para o Assentamento, a superfície da parede a ser revestida deve apresentar rugosidade suficiente para garantir a aderência entre ela e a argamassa colante. Com o objetivo de aumentar a rugosidade superficial e regular a absorção da água, as paredes devem ser chapiscadas.

O método de aplicação da argamassa colante depende da área da placa cerâmica a ser assentada. Para placas cerâmicas com área ≤ 900 cm2, a aplicação da argamassa pode ser feita pelo método convencional, ou seja, a aplicação da argamassa é somente na parede, estando a placa cerâmica limpa e seca para o assentamento. O posicionamento da peça deve ser tal que garanta contato pleno entre seu tardoz e a argamassa. Para áreas > 900 cm2, a argamassa deve ser aplicada tanto na parede quanto na própria placa (método da dupla colagem). Os cordões formados nessas duas superfícies devem se cruzar em ângulo de 90º, e a cerâmica deve ser assentada de tal forma que os cordões estejam perpendiculares entre si.

O tardoz das placas cerâmicas a serem assentadas deve estar limpo, isento de pó, gorduras, ou partículas secas e Não deve ser molhado antes do assentamento. A colocação das placas cerâmicas deve ser feita debaixo para cima, uma fiada de cada vez. A largura das juntas de assentamento pode ser garantida com o uso de espaçadores plásticos.

Para encerrar reforçando alguns aspectos, o revestimento ideal deve três camadas: chapisco, emboço e reboco. Chapisco é uma argamassa de aderência usada para a fixação de outro revestimento; emboço é uma argamassa de regularização e que serve de base para o reboco; e reboco é o revestimento próprio para receber a pintura. Os emboços somente devem ser iniciados após a completa pega das argamassas de alvenaria, execução do chapisco, colocação dos batentes das portas, colocação das tubulações e conclusão da cobertura da edificação. Os revestimentos deverão ser desempenados, aprumados, alinhados e nivelados. . As argamassas de cal, em relação às de cimento, apresentam maior aderência e menor resistência inicial.

Nos revestimentos cerâmicos, deve-se ter muito cuidado na vedação entre as peças (rejunte), para evitar a penetração de água.

Nos revestimentos colados, deve-se usar somente colas de qualidade comprovada, pois uma economia na compra da cola pode custar muito quando começar o desprendimento do revestimento. A aplicação da cola somente deve ser iniciada quando as paredes estiverem perfeitamente secas, pois a umidade na alvenaria geralmente provoca bolhas no revestimento e o emboço ainda úmido prejudica a aderência da cola.

Na execução dos revestimentos de argamassa, a fiscalização deverá observar, entre outros aspectos:

  • o emprego dos traços das argamassas de conformidade com as     especificações;
  • a qualidade dos agregados empregados no preparo das argamassas;
  • a aplicação do chapisco e da argamassa do emboço ou reboco na espessura e acabamento especificados;
  • a utilização de aditivos impermeabilizantes, no caso de revestimentos externos;
  • o prumo, esquadro e planagem da superfície emboçada ou rebocada;
  • a execução dos ensaios de laboratório previstos nas especificações;
  • a limpeza das superfícies a revestir para remover poeiras, óleos, graxas e outros materiais soltos ou estranhos à superfície do concreto ou da alvenaria;
  • a revisão das instalações elétricas, hidráulicas, de gás e esgoto embutidas nas alvenarias;
  • a colocação de taliscas para a execução das mestras ou guias;
  • o alinhamento do encontro das paredes com os tetos emboçados;
  • o alinhamento e prumo dos cantos e arestas.

Nos revestimentos cerâmicos, deve-se atentar para:

  • a execução dos serviços nos locais indicados no projeto de arquitetura e nas especificações;
  • as dimensões, cor e qualidade das peças cerâmicas, conforme especificado;
  • a colocação de conformidade com as especificações (sobre emboço desempenado, colado com argamassa especial ou direto sobre a alvenaria chapiscada com emprego de argamassa);
  • a completa aderência das peças cerâmicas à superfície;
  • o assentamento com as juntas especificadas;
  • o prumo, esquadro e a planagem da superfície acabada;
  • o recorte das peças  cerâmicas nos pontos    para ligação dos aparelhos sanitários e nas caixas de tomadas e interruptores;
  • os ensaios de laboratório especificados;
  • o emprego dos traços das argamassas de conformidade com as especificações;
  • o alinhamento e prumo dos cantos e arestas;
  • o rejuntamento, com a utilização ou não de rejuntes especiais, coloridos, impermeáveis, antiácidos, antimofo, conforme especificações técnicas, observando o tempo necessário de aproximadamente um dia para o endurecimento da argamassa de assentamento (retração).

Nos forros de gesso, deve-se observar:

  • a execução dos forros nos locais indicados no projeto de arquitetura e nas especificações;
  • o emprego do tipo de material especificado;
  • o tamanho das placas e sua estrutura, em conformidade com as     especificações;
  • o encaixe das placas e a fixação entre elas;
  • a existência obrigatória de junta seca entre as placas e a parede;
  • a não-utilização de placas de moldagem, em processo de pega, empenadas ou trincadas;
  • a execução de todas as instalações que ficarão no rebaixo;
  • o sistema de fixação do tirante ao teto ou barrote, em conformidade com as especificações;
  • o envolvimento dos tirantes com sisal e gesso (para aumentar a rigidez contra a ação do vento);
  • o nível e planagem da superfície inferior;
  • o estucamento perfeito de todas as juntas, de forma que a posterior pintura esconda-as completamente.

Nos forros de madeira, deve-se verificar:

  • a execução dos forros nos locais indicados no projeto de arquitetura e especificações;
  • o emprego do tipo de material especificado;
  • o tipo e qualidade da madeira especificada, sendo recusada a defeituosa;
  • a imunização de toda a madeira a empregar;
  • a execução de todas as instalações que ficarão no rebaixo;
  • a seção das peças a serem empregadas, em conformidade com o projeto;
  • o acabamento da superfície para receber a proteção especificada.