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Engenharia

Engenharia Civil – Arquitetura

By 13 de março de 2019 No Comments

1. Introdução

Etimologicamente o termo “arquitetura” vem da junção das palavras gregas “arché”, que significa “primeiro” ou “principal”, e tékton, que possui o significado de “construção”. De forma ampla é possível definir a arquitetura como sendo uma intervenção no meio ambiente para satisfazer uma determinada expectativa, de forma a criar novos espaços, e com a intenção de se trabalhar com elementos estéticos. Pode-se também afirmar que a arquitetura é uma forma de arte visual, que pretende criar construções em um determinado espaço. O profissional que cria os projetos das construções é o “arquiteto”.

Atualmente para se produzir um projeto de arquitetura, existe uma série de regulamentações que não pode ser esquecida prioritariamente, mas há pessoas que, ainda hoje, constroem suas casas e/ou local de trabalho sem seguir determinadas formalidades, que na arquitetura é denominado “partido”.
O “partido” é a formalização de uma série de fatos que aponta para as condições e necessidades anteriores à produção arquitetônica. É preciso determinar a “técnica construtiva” que será utilizada, para decidir quais recursos materiais e humanos serão utilizados, até mesmo se haverá necessidade de uma mão-de-obra mais sofisticada, no caso de produção de um estilo mais rebuscado.

As “condições físicas e topológicas” do local onde será feita a construção, precisam ser estudadas, assim como o “clima” da região. Não se pode deixar de fora do projeto arquitetônico os usos e costumes populares que envolvem os futuros moradores ou empreendedores, desta forma realizando o “programa das necessidades”. Por fim é essencial tornar o projeto “legal”, amparando-o por legislação específica, normas sociais, e/ou regras de convivências públicas.
Em concursos para engenheiro civil, a arquitetura é cobrada essencialmente nas questões práticas (escalas, iluminação, ventilação, …) e legais (requisitos e representação técnica).

 

2. Noções básicas

Representação dos projetos

Na representação dos projetos de edificações são utilizados os seguintes desenhos:

  • Planta de situação
  • Planta de localização
  • Plantas baixas dos diversos pavimentos
  • Cortes longitudinais e transversais
  • Fachadas

Planta de situação: são representados todos os elementos necessários para situar o terreno onde a edificação será construída, na área que o cerca. Deve conter os dados disponíveis para situar da melhor forma possível o terreno. A seguir são listados alguns dos dados que, se disponíveis, devem constar nas plantas de situação:

  • distância à esquina mais próxima;
  • número do lote ou de antiga edificação que exista ou tenha existido no terreno;
  • número das casas ou dos lotes lindeiros (vizinhos);
  • outros dados que contribuam para a identificação da posição do lote ou terreno.
  • curvas de nível existentes e projetadas, além de eventual sistema de coordenadas referenciais;
  • indicação da orientação (norte);
  • escala;
  • cotas gerais;
  • notas gerais, desenhos de referência e legenda.
  • vias de acesso ao conjunto,arruamento e logradouros adjacentes com os respectivos equipamentos urbanos;

Além destes, devem ser apresentados outros dados que sirvam para definir a posição do lote ou terreno com a maior precisão.

Planta de localização: devem ser representados todos os elementos necessários para localizar a edificação no terreno. Representa uma vista superior do terreno, com a finalidade de identificar a implantação do projeto, conta com informações complementares, como: muros, cercas, caminhos, piscinas, acessos, movimento de terra, redes hidráulica, elétrica e de drenagem, construções existentes, vegetação existente, etc.

De acordo com a NBR 6492, a planta de locação deve conter:

  • Simbologias de representação gráfica conforme as prescritas nesta Norma;
  • Sistema de coordenadas referenciais do terreno, curvas de nível existentes e projetadas;
  • Indicação do norte;
  • Indicação das vias de acesso, vias internas, estacionamentos, áreas cobertas, platôs e taludes;
  • Perímetro do terreno, marcos topográficos, cotas gerais e níveis principais;
    Indicação dos limites externos das edificações: recuos e afastamentos;
  • Eixos do projeto;
  • Amarração dos eixos do projeto a um ponto de referência;
  • Denominação das edificações;
  • Escalas;
  • Notas gerais, desenhos de referência e carimbo.

As escalas utilizadas nas plantas de locação são, geralmente, 1/100 ou 1/200, já no caso de zona rural, dependendo das dimensões do projeto e gleba, são utilizadas escalas de 1/500 ou 1/1000.
Como na planta de locação o objeto central do desenho é a edificação, seu contorno é representado por linhas de espessura grossa, o contorno do terreno é representado com linhas de espessura média, elementos secundários são utilizados em linha de espessura fina.

Plantas baixas dos diversos pavimentos: são, genericamente, cortes feitos em cada pavimento através de planos horizontais imaginários, situados em uma altura entre a verga da porta e o peitoril da janela.

A porção da edificação acima do plano de corte é eliminada e representa-se o que um observador imaginário posicionado a uma distância infinita veria ao olhar do alto a edificação cortada. Veja no exemplo a seguir a representação de uma parte da planta baixa da edificação acima.

As paredes de alvenaria podem ser representadas somente por linhas largas em seu contorno ou podem ser acrescentadas a estas linhas uma linha representativa do revestimento que será aplicado sobre a alvenaria (reboco, etc.), dependendo da escala e do nível de definição do projeto.

As paredes de alvenaria podem ser representadas somente por linhas largas em seu contorno ou podem ser acrescentadas a estas linhas uma linha representativa do revestimento que será aplicado sobre a alvenaria (reboco, etc.), dependendo da escala e do nível de definição do projeto.

Cortes longitudinais e transversais: são desenhos onde a edificação é representada como se tivesse sido cortada por um ou mais planos verticais, os quais devem ter sua posição determinada nas plantas baixas.

Veja no exemplo a seguir a representação de um dos cortes longitudinais da edificação acima.

Conforme a NBR 6492/94 os cortes devem conter:

  • eixos do projeto;
  • sistema estrutural;
  • indicação de cotas verticais;
  • indicação de cotas de nível acabado e em osso;
  • caracterização dos elementos de projeto:
    • fechamentos externos e internos;
    • circulações verticais e horizontais;
    • áreas de instalação técnica e de serviço;
    • cobertura/telhado e captação de águas pluviais;
    • forros e demais elementos significativos;
  • denominação dos diversos compartimentos seccionados;
  • marcação dos detalhes;
  • escala;
  • notas gerais, desenhos de referência e carimbo;
  • marcação dos cortes transversais nos cortes longitudinais e vice-versa.

Fachadas: são desenhos planificados que representam as elevações (vistas externas) da edificação. Veja no exemplo a seguir a representação de uma das fachadas da edificação mostrada nos exemplos anteriores:

Escalas usualmente adotadas

Escala de um desenho é a relação entre as dimensões do mesmo e as dimensões da peça real que está sendo representada. Por exemplo, se dizemos que um desenho está na escala 1:50 significa que cada dimensão representada no desenho será 50 vezes maior na realidade, ou seja, cada 1 (um) centímetro que medirmos no papel corresponderá a 50 (cinqüenta) centímetros na realidade.
Devido às grandes dimensões das edificações as escalas utilizadas na sua representação são normalmente escalas de redução (as dimensões da peça real são reduzidas para que seja possível representá- la em uma folha de papel).
Cabe lembrar, entretanto, que para outros elementos as escalas podem, também, ser de ampliação. Neste caso as dimensões da peça real são ampliadas para representá-la no desenho. Imagine uma peça com dimensão de alguns milímetros que para ser representada e visualizada mais facilmente foi ampliada dez  vezes – neste caso a escala será de 10:1 (cada dez unidades no desenho correspondem a uma unidade na peça real).
Nos projetos de edificações são adotadas diferentes escalas para os diferentes tipos de desenhos, dependendo do tamanho do que será representado e do nível de detalhes que se deseja representar em cada um.
As escalas usualmente empregadas nos desenhos de edificações são listadas a seguir:

Tipos e espessura de linha empregados

As espessuras e os tipos de linha utilizados no desenho possuem significados – servem para transmitir informações sobre os elementos que estão sendo representados.
Existem duas normas editadas pela ABNT que determinam os tipos e espessuras de linhas a ser adotados dependendo do elemento a ser representado. Uma para os desenhos técnicos de forma geral (NBR 8403/84 – Aplicações de linha – tipos e larguras) e outras específicas para os projetos de arquitetura (NBR 6492/94 – Representação de projetos de arquitetura), que trata especificamente do assunto aqui em pauta.

Verifica-se, ainda, quanto a este assunto, que os profissionais que atuam no mercado não seguem rigorosamente estas normas, existindo convenções usuais adotadas para alguns casos que diferem do que é recomendado nas normas. Em concursos, só a Norma importa!

 

Espessura de linhas

  • elementos estruturais e/ou de alvenaria cortados pelo plano de corte são representados com linhas largas;
  • elementos leves (esquadrias, etc.) cortados pelo plano de corte são representados com linhas médias;
  • arestas e contornos aparentes observados em vista (não cortados) são representados com linhas estreitas.
  • linhas auxiliares, cotas, hachuras são representadas com linhas estreitas.

Dependendo da maior ou menor proximidade do elemento que estiver sendo representado com o plano de corte (cabe lembrar que uma planta baixa também é um corte) ou do maior ou menor destaque que se deseja dar a um elemento, podem ser adotadas variações destas espessuras acima descritas.
Por exemplo, para se representar em uma planta baixa o quadriculado que informa os locais onde serão utilizados “pisos frios” prefere-se adotar uma espessura de linha que evite destacar demasiadamente esta informação em relação às demais, adotando-se, portanto, linhas mais estreitas para a representação deste elemento.
Já na representação das louças sanitárias que estarão sendo observadas neste mesmo ambiente, pode-se adotar uma espessura de linha um pouco menos estreita que a primeira, fazendo com que estes elementos se destaquem em relação às linhas do piso.
O desenho a seguir mostra parte de uma planta baixa onde se podem observar as diferentes espessuras de linhas adotadas para cada elemento representado.

Tipos de linhas

Quanto aos diferentes tipos de linha (contínua, tracejada, traço-ponto, etc), estes são utilizados para,  de forma convencional, transmitir outras informações aos leitores do desenho.
Por exemplo, em uma planta baixa, o beiral do telhado ficaria aquém (atrás) do plano de corte que gerou a planta e, conseqüentemente, não seria visualizado. Para representar este elemento teremos que adotar um tipo diferente de linha, que chame a atenção para esta posição do elemento que está sendo representado e evite sua confusão com os demais elementos do desenho.
Neste caso a NBR 6492/94 recomenda a adoção de linha tipo traço-dois pontos:

(     . .   . . ) para representação deste elemento.

Verifica-se com bastante freqüência, também, a  utilização de linhas tracejadas simples (- – – -) para representação deste mesmo elemento.

Cotagem e referências de vível

Apesar dos desenhos componentes dos projetos usualmente serem representados em escala é necessária a representação numérica das dimensões dos elementos: a cotagem. As regras adotadas na cotagem têm como objetivo deixar sua representação clara e padronizada. Como regra geral para realização  da cotagem deve-se privilegiar sempre a clareza e a precisão na transmissão das informações.
A seguir são descritos os princípios a serem observados na cotagem de projetos, tais como os elementos componentes da cotagem, seu posicionamento nos desenhos, e outros.

Elementos componentes da cotagem

  • linha de cota: é a linha que contém a dimensão daquilo que está sendo cotado e na qual é posicionado o valor numérico da cota.
  • linha de extensão (ou auxiliar) de cotagem: é a linha que liga a linha de cota ao elemento que está sendo cotado.
  • finalização das linhas de cota (encontro da linha de cota e da linha de extensão): usualmente na representação dos projetos de arquitetura as linhas de cota e de extensão se cruzam e são adotados pequenos traços inclinados a 45° neste ponto de intersecção das mesmas com pena mais grossa que os traços das duas anteriores. Pode, alternativamente, ser adotado um ponto mais largo no local desta intersecção.

Posição das cotas

Como regra geral na representação e leitura de desenhos deve-se observar que os mesmos possam ser lidos da base da folha de desenho ou de sua direita. As posições inversas a estas (leitura de cima para baixo ou da esquerda para a direita) são consideradas “de cabeça para baixo”.

Referências de nível

Nas plantas baixas adota-se o símbolo  para informar a cota de altura em determinados pontos do projeto (neste exemplo, cota 0,10m). Não é necessário representar a cota de cada peça, mas sim cada vez que existe uma região do projeto em uma cota de nível diferente.

Nos cortes, adota-se usualmente o símbolo para representar as cotas de cada região do projeto (neste exemplo, cota 12,12m). A NBR 6492/94, em seu item A-10.3 permite também que o mesmo símbolo referido no parágrafo anterior para uso em plantas baixas seja utilizado para referência de nível de cortes.

Hachuras específicas

São hachuras que têm como finalidade acrescentar graficamente a informação sobre os materiais que compõem os elementos representados. A seguir, são reproduzidos os tipos de hachura recomendados pela norma NBR 6492/94, a qual trata mais especificamente do desenho arquitetônico.

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