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Engenharia

Projeto de Obras Rodoviárias

By 26 de fevereiro de 2019 No Comments

1. Introdução

O projeto de obras rodoviárias é um assunto extenso e bastante cobrado em concursos públicos. Dentre outros da matéria de Obras Rodoviárias, é de se prever que este seja o principal.

A principal fonte de informações para este assunto é o Manual de Pavimentação do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), publicado em 2006.

2. Solo

a) Origem dos solos

Com base na origem dos seus constituintes, os solos podem ser divididos em dois grandes grupos: solos residuais e solos transportados.

 

  • Solos Residuais

 

Os solos residuais ocorrem se os produtos da rocha intemperada permanecem ainda no local em que se deu a transformação. Não existe, no entanto, um contato ou limite direto e brusco entre o solo e a rocha-sã, que o originou. A passagem entre eles é gradativa e permite a separação de pelo menos duas faixas distintas; aquela logo abaixo do solo propriamente dito, que é chamada de solo de alteração de rocha, e uma outra acima da rocha, chamada de rocha alterada ou rocha decomposta.

 

  • Solos Transportados

 

Os solos transportados ocorrem quando os produtos de alteração da rocha intemperada foram transportados por um agente qualquer, para um local diferente ao da transformação. Entre os solos transportados, é necessário destacar-se, de acordo com o agente transportador, os seguintes tipos ainda: coluviais, transportados por correntes de água; e eólicos, transportados pelo vento (dunas costeiras).

b) Descrição dos solos

O DNIT adota, para fim exclusivamente textural, a seguinte escala granulométrica, considerando as seguintes frações de solo:

 

  • Pedregulho

    É a fração do solo que passa na peneira de (3”) e é retida na peneira de 2,00 mm (nº 10).

 

  • Areia

 

    É a fração do solo que passa na peneira de 2,00 mm (nº 10) e é retida na peneira de 0,075 mm (nº 200).

 

  • Areia grossa

 

É a fração do solo que passa na peneira de 2,00 mm (nº 10) e é retida na peneira de 0,42 mm (nº 40).

 

  • Areia fina

 

É a fração do solo que passa na peneira de 0,42 mm (nº 40) e é retida na peneira de 0,075 mm (nº 200).

 

  • Silte

 

É a fração do solo que passa na peneira de 0,075 mm (nº 200) e é retida na peneira de 0,005 mm.

 

  • Argila

 

É a fração do solo que passa na peneira de 0,005 mm.

 

Tabela 1: Descrição exclusivamente textural dos solos.

Nº Peneira Abertura
—- 3”
Pedregulho
10 2,00 mm
Areia Grossa
40 0,42 mm
Areia Fina
200 0,075 mm
Silte
—- 0,005 mm

Argila

 

Na natureza, no entanto, os solos se apresentam, quase sempre, compostos de mais de uma das frações acima definidas. Uma dada fração, nesses casos, pode influir de modo marcante no comportamento geral dos solos (principalmente naturais). Há necessidade de levar em conta todas as propriedades, além da distribuição granulométrica. Sob esse aspecto, então, empregam-se as seguintes denominações:

  • Areias e Pedregulhos (solos de comportamento arenoso)

São solos de granulação grossa, com grãos de formas cúbicas ou arredondadas, constituídos principalmente de quartzo (sílica pura). Seu comportamento geral pouco varia com a quantidade de água que envolve os grãos. São solos praticamente desprovidos de coesão: sua resistência à deformação depende fundamentalmente de entrosamento e atrito entre os grãos e da pressão normal (à direção da força de deformação) que atua sobre o solo.

 

  • Siltes

 

São solos intermediários, podendo tender para o comportamento arenoso ou para o argiloso, dependendo da sua distribuição granulométrica, da forma e da composição mineralógica de seus grãos.

  • Argilas (solos de comportamento argiloso)

São solos de granulação fina, com grãos de forma lamelares, alongadas e tubulares, cuja constituição principal é de minerais argílicos: caulinita, ilita e montmorilonita, isto é, silicatos hidratados de alumínio e/ou ferro e magnésio. Devido à finura, forma e composição mineralógica de seus grãos, o comportamento geral das argilas varia sensivelmente com a quantidade de água que envolve tais grãos. Assim, apresentam esses solos em determinada gama de umidade, características marcantes de plasticidade, permitindo a mudança de forma (moldagem) sem variação de volume, sob a ação de certo esforço. Sua coesão é função do teor de umidade: quanto menos úmidas (mais secas), maior a coesão apresentada, podendo variar o valor da coesão (do estado úmido ao seco), numa dada argila, entre limites bem afastados.

 

c) Propriedades físicas e mecânicas dos Solos

Dentre as propriedades físicas e mecânicas de maior interesse no campo rodoviário, destacam-se as seguintes:

 

  • Permeabilidade

 

    Propriedade que os solos apresentam de permitir a passagem de água sob a ação da gravidade ou de outra força. A permeabilidade dos solos é medida pelo valor do coeficiente de permeabilidade (k), que é definido como a velocidade de escoamento de água, através da massa do solo, sob a ação de um gradiente hidráulico unitário. Os pedregulhos e as areias são razoavelmente permeáveis; as argilas, ao contrário, são pouco permeáveis.

 

  • Capilaridade

 

    Propriedade que os solos apresentam de poder absorver água por ação da tensão superficial, inclusive opondo-se à força da gravidade. A altura de ascensão capilar nos pedregulhos e nas areias grossas é desprezível, nas areias finas é de poucos centímetros e nas argilas pode atingir a vários metros.

 

  • Compressibilidade

 

    Propriedade que os solos apresentam de se deformar, com diminuição de volume, sob a ação de uma força de compressão. A compressibilidade manifesta-se tanto na compactação dos solos não saturados, quanto no adensamento ou consolidação dos solos saturados. No caso da compactação, a redução de vazios se dá custa da expulsão de ar, enquanto que, no adensamento, faz-se pela expulsão de água.

 

  • Elasticidade

 

    Propriedade que os solos apresentam de recuperar a forma primitiva cessado o esforço deformante; não sendo os solos perfeitamente elásticos, tal recuperação é parcial. Para cargas transientes ou de curta duração, como as de tráfego, verifica-se a recuperação quase completa das deformações do subleito e do pavimento, desde que aquele tenha sido compactado convenientemente e este, dimensionado de modo a evitar deformações plásticas de monta.

 

  • Contratilidade e Expansibilidade

 

    Propriedades características da fração argila e, por isso, mais sensíveis nos solos argilosos. Contratilidade é a propriedade dos solos terem seu volume reduzido por diminuição de umidade. Expansibilidade é a propriedade de terem seu volume ampliado por aumento de umidade.

 

  • Resistência ao Cisalhamento

 

A ruptura das massas de solo se dá por cisalhamento, isto é, por deformação distorcional. A resistência ao cisalhamento é regida pela Lei de Coulomb, cuja expressão consiste em:

τ=σetan φ +c

Onde:

τ: resistência ao cisalhamento

φ: ângulo de atrito interno

σe: pressão efetiva normal ao plano de cisalhamento

c: coesão

 

3. Índice de Suporte Califórnia (California Bearing Ratio)

O ensaio de CBR consiste na determinação da relação entre a pressão necessária para produzir uma penetração de um pistão num corpo-de prova de solo, e a pressão necessária para produzir a mesma penetração numa brita padronizada.

O valor dessa relação, expressa em percentagem, permite determinar, por meio de equações empíricas, a espessura de pavimento flexível necessária, em função do tráfego.

 

4. Compactação de Solos

Compactação é a operação da qual resulta o aumento da massa específica aparente de um solo, pela aplicação de pressão, impacto ou vibração, o que faz com que as partículas constitutivas do material entrem em contato mais íntimo, pela expulsão de ar. Com a redução da percentagem de vazios de ar, consegue-se também reduzir a tendência de variação dos teores de umidade dos materiais integrantes do pavimento, durante a vida de serviço.

a) Princípios gerais

Os princípios gerais que regem a compactação são os seguintes:

    • a massa específica aparente seca (γS) de um solo, obtida após a compactação, depende da natureza do solo, de sua granulometria e da massa específica dos grãos (γg); varia, aproximadamente, entre os valores 1400 kg/m³ e 2300 kg/m³;
    • para um dado solo e para um dado esforço de compactação, variando-se o teor de umidade do solo, pode-se traçar uma curva de compactação (Figura 4); há um teor de umidade chamado umidade ótima (hot), ao qual corresponde uma massa específica aparente seca máxima (γS.max);
    • para um dado solo (Figura 4), quanto maior for a energia de compactação, tanto maior será o γS e tanto menor será hot;

 

    • para um dado solo e para um dado teor de umidade h, quanto maior for o esforço de compactação, tanto maior será o γS obtido (Figura 5);
    • há uma chamada linha de ótimos, que é o lugar geométrico dos vértices das curvas obtidas com diferentes esforços de compactação; a linha de ótimos separa os chamados ramos secos e ramos úmidos das curvas de compactação (Figura 5);
    • para um dado solo, a massa específica aparente seca máxima varia linearmente com o logaritmo de energia de compactação.

 

Com baixos teores de umidade (h), os solos oferecem resistência à compactação, resultando baixos valores de γS (para uma dada energia de compactação) e altas percentagens de vazios de ar. A partir daí, quando h aumenta, a água atua como lubrificante, tornando o solo mais trabalhável, resultando maiores de γS e menores valores de percentagem de vazios. Porém, quando os vazios de ar diminuem e atingem um certo valor (para uma dada energia de compactação), a água e o ar, em conjunto, tendem a manter as partículas de solo afastadas, dificultando qualquer diminuição posterior de vazios de ar. Assim, aumentando-se os teores de umidade (h) de compactação, os vazios totais (ocupados por ar e por água) continuam a crescer, resultando em menores valores de γS. Resulta-se disso, como já mencionado, a noção de γS.max e hot.

Importante ressaltar que os solos bem graduados geralmente apresentam curvas de compactação com um máximo pronunciado (acentuado), ao contrário dos solos de graduação uniforme, que se caracteriza por curvas achatadas.

 

b) Controle de compactação

Para comprovar se a compactação está sendo feita devidamente, deve-se determinar sistematicamente a umidade e a massa específica aparente do material.

Para esse controle, pode ser utilizado o speedy na determinação da umidade e o processo do frasco de areia na determinação da massa específica.

Chama-se grau de compactação o quociente resultante da divisão da massa específica obtida no campo, pela massa específica máxima obtida no laboratório.

Não sendo atingida a compactação desejada, a qual não deverá ser inferior a determinado valor do grau de compactação (fixada pela especificação adotada), o material será revolvido e recompactado.

 

5. Pavimento

a) Generalidades

Pavimento de uma rodovia é a superestrutura constituída por um sistema de camadas de espessuras finitas, assentes sobre um semiespaço considerado teoricamente como infinito: a infraestrutura ou terreno de fundação, a qual é designada de subleito.

Essa estrutura é destinada a:

Resistir e distribuir ao subleito os esforços verticais oriundos do tráfego;

– Melhorar as condições de rolamento quanto à comodidade e ao conforto;

Resistir aos esforços horizontais (desgaste), tornando mais durável a superfície de rolamento.

 

b) Camadas do pavimento

É muito importante ter-se em mente a definição dos diversos constituintes do pavimento, em seção transversal, dispostos a seguir.

 

  • Subleito

 

Terreno de fundação do pavimento, limitado assim superiormente pelo mesmo. Deve ser estudado e considerado até a profundidade onde atuam, de forma significativa, as cargas impostas pelo tráfego.

 

  • Leito

 

Superfície obtida pela terraplenagem ou pela obra de arte e conformada ao seu greide e perfis transversais.

 

  • Regularização

 

Camada posta sobre o leito, destinada a conformá-lo transversal e longitudinalmente de acordo com as especificações; a regularização não constitui, propriamente uma camada de pavimento, sendo, a rigor, uma operação que pode ser reduzida em corte do leito implantado ou em sobreposição a este, de camada com espessura variável.

 

  • Reforço de subleito

 

Camada de espessura constante, posta por circunstâncias técnico-econômicas, acima da de regularização, com características geotécnicas inferiores ao material usado na camada que lhe for superior, porém melhores que o material do subleito.

 

  • Sub-base

 

Camada complementar à base, quando por circunstâncias técnico-econômicas não for aconselhável construir a base diretamente sobre regularização.

 

  • Base

 

Camada destinada a resistir e distribuir os esforços oriundos do tráfego e sobre a qual se constrói o revestimento.

 

  • Revestimento

 

Camada, tanto quanto possível impermeável, que recebe diretamente a ação do rolamento dos veículos e destinada a melhorá-la, quanto à comodidade e à segurança, e a resistir ao desgaste.

 

c) Classificação dos pavimentos

De uma forma geral, os pavimentos são classificados em flexíveis, semirrígidos e rígidos. Suas definições são:

 

  • Flexível

 

    Aquele em que todas as camadas sofrem deformação elástica significativa sob o carregamento aplicado e, portanto, a carga se distribui em parcelas aproximadamente equivalentes entre as camadas. Exemplo típico: pavimento constituído por uma base de brita (brita graduada, macadame) ou por uma base de solo pedregulhoso, revestida por uma camada asfáltica.

 

  • Semirrígido

 

    Caracteriza-se por uma base cimentada por algum aglutinante com propriedades cimentícias como, por exemplo, por uma camada de solo-cimento revestida por uma camada asfáltica.

 

  • Rígido

 

    Aquele em que o revestimento tem uma elevada rigidez em relação às camadas inferiores e, portanto, absorve praticamente todas as tensões provenientes do carregamento aplicado. Exemplo típico: pavimento constituído por lajes de concreto de cimento Portland.

 

d) Bases e sub-bases flexíveis e semirrígidas

As bases e sub-bases flexíveis e semirrígidas podem ser classificadas nos seguintes tipos:

 

  • Bases e Sub-bases granulares

– Estabilização granulométrica

Camadas constituídas por solos, britas de rochas, de escória de alto forno, ou ainda, pela mistura desses materiais. Estas camadas, puramente granulares, são sempre flexíveis e são estabilizadas granulometricamente pela compactação de um material ou de mistura de materiais que apresentem em granulometria apropriada e índices geotécnicos específicos, fixados em especificações.

Quando se utiliza uma mistura de material natural e pedra britada, tem-se as sub-bases e bases de solo-brita.

Quando se utiliza exclusivamente produtos de britagem, tem-se as sub-bases e bases de brita graduada ou de brita corrida.

 

– Macadame hidráulico e seco

 

    Camada de brita de graduação aberta de tipo especial (ou brita tipo macadame), que, após compressão, tem os vazios preenchidos pelo material de enchimento, constituído por finos de britagem (pó de pedra) ou mesmo por solos de granulometria e plasticidade apropriadas. A penetração do material de enchimento é promovida pelo espalhamento na superfície, seguido de varredura, compressão (sem ou com vibração) e irrigação, no caso de macadame hidráulico.

O macadame seco, ao dispensar irrigação, além de simplificar o processo de construção, evita o encharcamento, sempre indesejável, do subleito.

 

 

  • Bases e Sub-bases estabilizadas (com aditivos)

– Solo-cimento

    Mistura devidamente compactada de solo, cimento Portland e água. A mistura solo-cimento deve satisfazer a certos requisitos de densidade, durabilidade e resistência, dando como resultado um material duro, cimentado, de acentuada rigidez à flexão e com plasticidade reduzida. O teor de cimento adotado usualmente é da ordem de 6% a 10%.

 

Solo melhorado com cimento

    Esta modalidade é obtida mediante a adição de pequenos teores de cimento (2% a 4%), visando primordialmente à modificação do solo no que se refere à redução de sua plasticidade e de sua sensibilidade à água, sem cimentação acentuada, é considerada flexível.

 

Solo-cal

 

    Mistura de solo, cal e água e, às vezes, cinza volante. O teor de cal mais frequente é de 5% a 6%, e o processo de estabilização ocorre:

– por modificação do solo, no que refere a sua plasticidade e sensibilidade à água;

por carbonatação, que é uma cimentação fraca;

por pozolanização, que é uma cimentação forte.

Quando predominam os dois últimos efeitos mencionados, têm-se as misturas solo-cal, consideradas semirrígidas.

 

– Solo melhorado com cal

 

    Mistura de solo, cal e água e, às vezes, cinza volante. O processo de estabilização ocorre pelos mesmos efeitos mencionados na mistura solo-cal, porém com predominância do primeiro (estabilização por modificação do solo). É considerada flexível.

 

Solo-betume

    Mistura de solo, água e material betuminoso. É considerada flexível.

 

Bases betuminosas diversas

    Camadas com técnicas construtivas e materiais empregados idênticos a revestimentos betuminosos, vistos adiante.

 

e) Bases e sub-bases rígidas

    Estas camadas são caracteristicamente as de concreto de cimento. Esses tipos de bases e sub-bases têm acentuada resistência à tração, fator determinante no seu dimensionamento. Podem ser distinguidos dois tipos de concreto:

 

  • Concreto plástico

Próprio para serem adensados por vibração manual ou mecânica;

 

  • Concreto magro

Semelhante ao usado em fundações, no que diz respeito ao pequeno consumo de cimento, mas com consistência apropriada à compactação com equipamentos rodoviários.

 

f) Revestimentos flexíveis

Os revestimentos flexíveis podem ser agrupados de acordo com o esquema apresentado a seguir:

  • Revestimentos flexíveis betuminosos

Os revestimentos betuminosos são constituídos por associação de agregados e materiais betuminosos. Essa associação pode ser feita de duas maneiras clássicas: por penetração e por mistura.

 

Revestimentos betuminosos por penetração

    Esta modalidade envolve dois tipos distintos: por penetração invertida ou por penetração direta.

 

– Revestimentos betuminosos por penetração invertida

    Revestimentos executados através de uma ou mais aplicações de material betuminoso, seguida(s) de idêntico número de operações de espalhamento e compactação de camadas de agregados com granulometrias apropriadas.

Conforme o número de camadas, têm-se os intitulados tratamentos superficiais simples, duplo ou triplo.

O tratamento simples, executado com o objetivo primordial de impermeabilização ou para modificar a textura de um pavimento existente, é denominado capa selante.

 

Revestimentos betuminosos por penetração direta

 

Revestimentos executados através do espalhamento e compactação de camadas de agregados com granulometria apropriada, sendo cada camada, após compressão, submetida a uma aplicação de material betuminoso e recebendo, ainda, a última camada, uma aplicação final de agregado miúdo.

Revestimento típico, por “penetração direta”, é o Macadame Betuminoso. Este com frequência é usado como camada de base.

 

Revestimentos betuminosos por mistura

Nos revestimentos betuminosos por mistura, o agregado é pré-envolvido com o material betuminoso, antes da compressão.

Quando o pré-envolvimento é feito em usinas fixas, resultam os “pré-misturados” propriamente ditos e, quando feito na própria pista, têm-se os “pré-misturados na pista” (“road mixes”).

Conforme os seus respectivos processos construtivos, são adotadas ainda as seguintes definições:

Pré-misturado a Frio: quando os tipos de agregados e de ligantes utilizados permitem que o espalhamento seja feito à temperatura ambiente;

Pré-misturado a Quente: quando o ligante e o agregado são misturados e espalhados na pista ainda quentes.

Conforme a graduação dos agregados com que são executados, os “Pré-misturados” e os “Road mixes” podem ser de graduação aberta ou densa. Os de graduação densa em geral não requerem capa selante, que é obrigatória nos de graduação aberta.

Quando o agregado natural ou artificial, é constituído predominantemente de material passante na peneira nº 10 (abertura 2,00 mm), ou seja, de areia, têm-se os “Road mixes” e os “Pré-misturados” Areia-Betume.

A designação Concreto Betuminoso Usinado à Quente (CBUQ) ou Concreto Asfáltico tem sido reservada para pré-misturados a quente de graduação densa, em que são feitas rigorosas exigências no que diz respeito a equipamentos de construção e índices tecnológicos como granulometria, teor de betume, estabilidade, vazios, etc.

Do mesmo modo, a designação sheet-asphalt tem sido usado para os pré-misturados areia-betume que satisfazem a exigência semelhantes às feitas para o concreto betuminoso.

Os pré-misturados e os road mixes podem ser usados como bases de pavimento e como revestimento.

 

  • Revestimentos flexíveis por calçamento

    A utilização destes tipos de pavimento em rodovias caiu consideravelmente ne medida em que se intensificou a utilização de pavimentos asfálticos e de concreto.

Assim é que, de uma maneira geral, a sua execução se restringe a pátios de estacionamento, vias urbanas e alguns acessos viários; muito embora tal execução envolva algumas vantagens nos seguintes casos:

Em trechos com rampas mais íngremes; onde, por exemplo, os paralelepípedos promovem uma maior aderência dos pneus, aumentando a segurança principalmente na época de chuvas;

– Em trechos urbanos, onde a estrada coincide com zonas densamente povoadas, para os quais estão previstos os serviços de redes de água e esgoto.

– Em aterros recém-construídos e subleitos sujeitos a recalques acentuados.

 

  • Alvenaria Poliédrica

Estes revestimentos consistem em camadas de pedras irregulares (dentro de determinadas tolerâncias), assentadas e comprimidas sobre um colchão de regularização, constituído de material granular apropriado; as juntas são tomadas com pequenas lascas de pedras e com o próprio material do colchão.

 

  • Paralelepípedos

Estes revestimentos são constituídos por blocos regulares, assentes sobre um colchão de regularização constituído de material granular apropriado. As juntas entre os paralelepípedos podem ser tomadas com o próprio material do colchão de regularização, pedrisco, materiais ou misturas betuminosas ou com argamassa de cimento Portland.

Os paralelepípedos podem ser fabricados de diversos materiais, sendo os mais usuais constituídos de blocos de granito, gnaisse ou basalto.

 

g) Revestimentos rígidos

O concreto de cimento, ou simplesmente “concreto”, constituído por uma mistura relativamente rica de cimento Portland, areia, agregado graúdo e água, distribuído em uma camada devidamente adensada. Essa camada funciona, ao mesmo tempo, como revestimento e base do pavimento.

 

6. Projeto de Pavimentação

a) Estudos geotécnicos

Os estudos geotécnicos para o projeto de pavimentação compreendem estudos do subleito e de ocorrências de materiais para pavimentação.

  • Estudos do Subleito

O estudo do subleito de estradas de rodagem com terraplenagem concluída tem como objetivo o reconhecimento dos solos visando à caracterização das diversas camadas e o posterior traçado dos perfis dos solos para efeito do projeto de pavimento

 

  • Estudos de Ocorrências de Materiais para Pavimentação

O estudo de ocorrências de materiais para pavimentação tem como objetivo o reconhecimento e a caracterização dos materiais de jazidas como fonte de matéria-prima para utilização na construção das diversas camadas de Reforço de Subleito, Sub-base, Base e Revestimento, de acordo com o projeto do pavimento.

 

  • Ensaios Realizados

    Na execução dos estudos geotécnicos para o Projeto de Pavimentação, são feitos os seguintes ensaios:

-Granulometria por peneiramento com lavagem do material na peneira de 2,0 mm (nº 10) e de 0,075 mm (nº 200);

-Limite de Liquidez;

-Limite de Plasticidade;

-Limite de Construção em casos especiais de materiais do subleito;

-Compactação;

-Massa específica Aparente “in situ”;

-Índice Suporte Califórnia (ISC);

-Expansibilidade no caso de solos lateríticos.

 

b) Requisitos de materiais para o pavimento flexível

O método empírico de projetos de pavimentos flexíveis fundamenta-se na utilização do resultado do ensaio de Índice de Suporte Califórnia (ISC) das amostras de solos do subleito e das camadas granulares do futuro pavimento e na utilização do número de repetições do eixo-padrão durante a vida de projeto.

A Capacidade de Suporte do subleito e dos materiais constituintes dos pavimentos é feita pelo CBR, adotando-se o método de ensaio preconizado pelo DNER, em corpos de prova indeformados ou moldados em laboratório para as condições de massa específica aparente e umidade especificadas para o serviço.

Para solos granulares com granulação grossa deverá ser empregada a energia de compressão correspondente ao proctor modificado.

Os materiais do subleito devem apresentar as seguintes características, medidas no ensaio CBR:

    • Expansão ≤2%
    • CBR≥2%

 

Quanto aos materiais empregados no pavimento, estes devem apresentar:

Tabela 2: Características necessárias de materiais por camada.

Camada do material Características necessárias
Reforço de subleito CBR≥CBRsubleito

Expansão≤1% (medida com sobrecarga de 10 lb)

Sub-base CBR≥20%

Expansão≤1% (medida com sobrecarga de 10 lb)

I.G.=0

Base CBR≥80%

Expansão≤0,5% (medida com sobrecarga de 10 lb)

Limite de Liquidez≤25%

Índice de Plasticidade≤6%

 

Caso o limite de liquidez seja superior a 25% e/ou índice de plasticidade seja superior a 6%, o material pode ser empregado em base (satisfeitas as demais condições), desde que o equivalente de areia seja superior a 30.

7. Equipamentos de Pavimentação

Os serviços de pavimentação, por sua natureza, requerem processo executivo mecânico, com a utilização de equipamentos pesados. Para cada um dos itens-serviços, dispõe-se de uma série de equipamentos específicos, conforme tabela a seguir.

Tabela 3: Equipamentos utilizados por item-serviço.

Itens-serviços Equipamentos Utilizados
Desmatamento e limpeza Tratores de esteira com lâmina S ou A
Escavação de solos Tratores de esteira com lâminas (A, S ou U) ou escavadeiras
Cargas de materiais Carregadeiras, Escavadeiras
Transporte de materiais Caminhões de carroceria, caminhões basculantes, carretas prancha alta, carretas tanque para ligantes, caminhões fora-de-estrada
Umedecimento de solos na pista Caminhões tanques
Misturas de solos e homogeneização de umidade na pista Pulvi-misturadoras

Arados e grade de discos

Motoniveladora

Compactação Rolo pé-de-carneiro auto propelido

Rolo de pneu (pressão variável)

Rolo vibratório liso e/ou corrugado

Limpeza e varredura de pista Vassoura mecânica e trator de pneus
Espalhamento de concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ) Vibro-acabadora de asfalto

Rolos lisos tandem vibratório

Rolos de pneus de pressão variável

Espalhamento de pré-misturado a frio Vibro-acabadora de asfalto

Rolos lisos tandem vibratório

Rolos de pneus de pressão variável

Rolos tandem

Transporte do concreto de cimento Caminhões dumpers ou caminhões betoneiras
Espalhamento do concreto de cimento Acabadora de concreto cimento e trilhos de aço

 

A execução de uma determinada camada de pavimento, compreendendo via de regra vários itens-serviços, demanda, então, a utilização conjugada de diversos equipamentos, cujo conjunto constitui a patrulha de equipamentos, dimensionada de modo a atender a produção compatível com o cronograma de obra.

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