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Engenharia

Transporte

By 1 de janeiro de 2019 No Comments

1. Definições e conceitos

a) Logística

Logística é um ramo da gestão cujas atividades estão voltadas para o planejamento da armazenagem, circulação e distribuição de produtos. Um de seus objetivos mais importantes é conseguir criar mecanismos para entregar os produtos ao destino final no tempo mais curto possível, reduzindo os custos. Para isso, os especialistas em logística estudam rotas de circulação, meios de transportes, locais de armazenagem (depósitos) entre outros fatores que influenciam na área.

b) Modal de transporte

Os modais podem ser definidos como tipos de transporte. Atualmente, existem cinco formas de locomover uma carga: pelo modal aéreo, aquaviário (hidroviário e marítimo), dutoviário, ferroviário e rodoviário. Para escolher o modal de transporte ideal, é importante entender as características de cada um e qual carga ele pode carregar.

c) Plano Nacional de Logística e Transporte – PNLT

O Plano Nacional de Logística e Transporte – PNLT – foi desenvolvido pelo Ministério dos Transportes, em cooperação com o Ministério da Defesa. Seu objetivo é formalizar e perenizar instrumentos de análise, sob a ótica da logística, para dar suporte ao planejamento de intervenções públicas e privadas na infraestrutura e na organização dos transportes, de modo que o setor possa contribuir efetivamente para a consecução das metas econômicas, sociais e ecológicas do país, em horizontes de médio a longo prazo, objetivando o desenvolvimento sustentado.

2. Classificação dos transportes

a) Modal aéreo

O transporte aéreo é o modal de transportes que consiste em transportar mercadorias (cargas) e/ou pessoas através de aeronaves (tráfego aéreo). É baseado em normas da Associação de Transporte Aéreo Internacional (International Air Transport Association –IATA), tendo como referência no país a Infraero.

A IATA representa as companhias aéreas e estabelece tarifas máximas fixadas anualmente, com base nas rotas e nos serviços prestados. Essas tarifas aéreas, no entanto, podem ser reduzidas em função de acordos bilaterais entre os governos e da competição resultante de programas de desregulamentação. Os produtos a serem embarcados por via aérea devem ser pesados e medidos, pois as normas da IATA estabelecem que um determinado peso não pode superar um volume máximo. A unidade de volume equivale a 6 mil cm³/Kg. Quando este limite é ultrapassado, o frete é calculado por volume.

  • Vantagens
    • Percorre longas distâncias independentemente dos acidentes geográficos que a rota possa ter;
    • Trânsito livre e exclusivo;
    • Aeroportos próximos ou em centros urbanos;
    • Menor tempo de entrega da carga;
    • Menor custo com embalagens, pois a carga é menos manuseada durante seu trânsito.
  • Desvantagens
    • Limitação na quantidade de carga transportada;
    • Custo mais elevado do que os demais modais de transporte;
    • Necessita de terminais de acesso;
    • Pode depender de outro modal.

b) Modal aquaviário

O transporte aquaviário consiste no transporte de mercadorias e de passageiros por barcos, navios ou balsas, via um corpo de água, tais como oceanos, mares, lagos, rios ou canais. Esse transporte engloba tanto o transporte marítimo, utilizando como via de comunicação os mares abertos, como transporte fluvial, usando os lagos e rios. Como o transporte marítimo representa a grande maioria do transporte aquático, muitas vezes é usada esta denominação como sinônimo. Este modo de transporte cobre o essencial das matérias primas (petróleo e derivados, carvão, minério de ferro, cereais, bauxita, alumínio e fosfatos, entre outros). Paralelamente a estes transportes a granel, o transporte aquático também cobre o transporte de produtos previamente acondicionados em sacas, caixotes ou outros tipos de embalagens, conhecidos como carga geral.

Por ser uma modal que utiliza vias aquáticas, não disputa espaço com outros modais de transporte, porém tem um alto custo no seguro das mercadorias.

  • Vantagens
    • Capacidade de transportar grandes quantidades;
    • Percorre longas distâncias;
    • Baixo risco de avarias nas mercadorias;
    • Baixo custo de frete.
  • Desvantagens
    • Tempo de trânsito longo;
    • Burocracia na documentação de desembaraço da mercadoria;
    • Necessita de terminais especializados para embarque e desembarque;
    • Alto custo no seguro de cargas;
    • Baixo investimento do governo em portos e fiscalização para liberação das mercadorias.

c) Modal dutoviário

O transporte dutoviário consiste na movimentação de fluidos líquidos, gases e sólidos granulares por dutos e tubos subterrâneos, submarinos ou aparentes.

Dutos são tubulações especialmente desenvolvidas e construídas de acordo com normas internacionais de segurança, para transportar petróleo e seus derivados, álcool, gás e produtos químicos diversos por distâncias especialmente longas, sendo então denominados como oleodutos, gasodutos ou polidutos.

Dutos subterrâneos são aqueles enterrados para serem mais protegidos contra intempéries, contra acidentes provocados por outros veículos e máquinas agrícolas, e também, contra a curiosidade e vandalismo por parte de moradores vizinhos à linha dutoviária.

Dutos aparentes são aqueles visíveis, o que normalmente acontece nas chegadas e saídas das estações de bombeio, nas estações de carregamento e descarregamento.

Dutos submarinos são assim denominados devido à que a maior parte da tubulação está submersa no fundo do mar. Este método é geralmente utilizado para o transporte da produção de petróleo de plataformas marítimas.

  • Vantagens
    • Percorre longas distâncias com baixos custos operacionais;
    • Transporta grande volume de carga de forma constante;
    • Alta segurança e confiabilidade do transporte;
    • Baixo custo operacional.
  • Desvantagens
    • Alto custo de investimento inicial e fixo;
    • Possibilidade de acidentes ambientais em grande escala;
    • Necessidade de licença para atuação;
    • Trajeto fixo com baixa flexibilidade dos pontos de bombeamento.

d) Modal ferroviário

O transporte ferroviário é o modal que consiste em transportar mercadorias (cargas) e/ou pessoas através de ferrovias. O meio de transporte para tal operação é o trem.

O transporte por meio de ferrovias é uma opção de modal de transporte adequada para cargas de grandes volumes, que percorrerá longas distância e terá um destino fixo, pois este modal não tem a mesma flexibilidade de rota que o rodoviário desfruta. Possui baixo custo se comparado com outros modais de transporte e conta com alta capacidade para transportar produtos em grande escala e pesados.  É ideal para transportar commodities em alta quantidade, como minério de ferro, produtos siderúrgicos, derivados do petróleo, fertilizantes, mercadorias agrícolas, entre outros.

  • Vantagens
    • Baixo custo, porque tem baixa incidência de taxas e utiliza combustíveis mais baratos;
    • Grande capacidade de carga;
    • Menor risco de acidentes e maior segurança no transporte da carga.
  • Desvantagens
    • Rotas fixas e inflexíveis;
    • Pode depender de outros modais de transporte para fazer com que as cargas cheguem efetivamente aos seus destinos finais;
    • Falta de investimento governamental em ferrovias;
    • Necessita de maiores transbordos.

e) Modal rodoviário

O transporte rodoviário é aquele que se realiza em estradas de rodagem, com utilização de veículos como caminhões e carretas. Esse pode ser em território nacional ou internacional, inclusive utilizando estradas de vários países na mesma viagem.

Entre todos os modais de transporte, o rodoviário talvez seja o mais adequado para o transporte de mercadorias, quer seja internacionalmente na exportação ou na importação, quer seja no transporte nacional, bem como, nos deslocamentos de curtas e médias distâncias. O transporte rodoviário é bastante recomendado para o transporte de mercadorias de alto valor agregado ou perecível. Já para produtos agrícolas a granel, esse modal perde muita competitividade, visto que o valor desses produtos é muito baixo, o que acaba tornando o frete muito caro.

No modal rodoviário, o espaço no veículo pode ser fretado em sua totalidade (carga completa) ou apenas frações de sua totalidade (carga fracionada). O fracionamento do espaço de carga do veículo possibilita a diversificação de embarcadores num mesmo embarque, diluindo desta forma, o custo entre os clientes na fração de sua utilização.

  • Vantagens
    • Agilidade e rapidez na entrega da mercadoria em curtos espaços a percorrer;
    • A unidade de carga chega até a mercadoria, enquanto nos outros modais a mercadoria deve ir ao encontro da unidade de carga;
    • Exigência de embalagens a um custo bem menor;
    • Facilidade para contratar ou organizar o transporte;
    • Flexibilidade em organizar a rota;
    • Pouca burocracia quanto à documentação necessária para o transporte;
    • Maior investimento do governo na infraestrutura das rodovias se comparada aos outros modais.
  • Desvantagens
    • Alto custo de frete, por causa do impacto direto que pedágios e alto valor do combustível geram;
    • Baixa capacidade de carga;
    • Elevado grau de poluição ao meio ambiente;
    • Menor distância alcançada com relação ao tempo utilizado para o transporte;
    • Maiores chances de a carga ser extraviada, por causa de roubos e acidentes;
    • A malha rodoviária deve estar constantemente em manutenção ou em construção, gerando custos ao erário ou a contribuinte, visto que, existem estradas privatizadas que cobram pedágio.

3. Multimodalidade x Intermodalidade

A multimodalidade e a intermodalidade são operações que se realizam pela utilização de mais de um modal de transporte.

A intermodalidade se caracteriza pela emissão individual de documento de transporte para cada modal, bem como pela divisão de responsabilidade entre os transportadores. Pelo contrário, na multimodalidade, existe a emissão de apenas um documento de transporte, cobrindo o trajeto total da carga, do seu ponto de origem até o ponto de destino. Esse documento é emitido pelo Operador de Transporte Multimodal – OTM, que também toma para si a responsabilidade total pela carga sob sua custódia.

4. Matriz de transporte brasileira

O Instituto de Logística e Supply Chain – ILOS – apresentou em 2016 a composição da matriz de transportes no Brasil, a qual apontou, como de praxe, o modal rodoviário como predominante na infraestrutura brasileira, representando 62,8% do transporte de cargas. O Brasil conta ainda com apenas 21% da produção passando pelas ferrovias nacionais, enquanto o transporte aquaviário movimenta em torno de 13% das cargas.

Todos são unânimes em dizer que o Brasil precisa investir em ferrovias, hidrovias e cabotagem para tornar a sua matriz de transporte de cargas mais eficiente. Não há dúvidas, principalmente para o transporte de grandes volumes a longas distâncias, que isso traria redução de custos para as indústrias nacionais e ainda diminuiria a emissão de gases poluentes na atmosfera.

Além disso, aponta-se que a infraestrutura rodoviária, parte principal da malha logística do País, continua também bastante precária, principalmente quando comparada a outras potências econômicas. Enquanto o Brasil possui quase 25 km de rodovias pavimentadas por 1.000 km² de área territorial, os Estados Unidos possuem 438 km e a China, 360 km.

Além da baixa densidade, o Brasil sofre também com a má qualidade dessa malha rodoviária asfaltada. A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apresentou estudos afirmando que 28,2% das rodovias nacionais são ruins ou péssimas e 33,6% são apenas regulares, considerando-se questões como pavimento, sinalização e geometria das vias.

A seguir, apresenta-se a comparação da infraestrutura de transportes de carga pelo mundo.