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Engenharia

Obras Rodoviárias – Obra de Arte Corrente

By 19 de fevereiro de 2019 One Comment

1. Introdução

Obras rodoviárias são compostas por diversos projetos dentre os quais o de drenagem tem uma grande importância nas orientações e definições dos demais.

O projeto de drenagem consiste no controle das águas a fim de se evitar danos à estrada construída. Efetua-se este controle por meio da interceptação, captação, condução e deságue em local adequado das águas que:

  • existem no subleito (Drenagem Profunda ou Subterrânea);
  • infiltrem no pavimento (Drenagem Subsuperficial, Estrutural ou de Pavimento);
  • precipitem-se sobre o corpo estradal (Drenagem Superficial);
  • cheguem à estrada provenientes de áreas adjacentes (Drenagem Superficial);
  • cheguem por talvegues aos aterros (Drenagem para Transposição de Talvegue).

Dentre os tipos de projeto de drenagem, a Drenagem para Transposição de Talvegue tem por objetivo permitir a passagem das águas que escoam pelo terreno natural, não as interceptando, de um lado para outro do corpo estradal projetado. Assim, estes dispositivos de drenagem, isolados ou em conjunto, são estruturas projetadas para conduzir as águas dos córregos, bacias e açudes interceptados pela estrada. Podem ser separados em dois tipos:

  • Pontes ou Obras de Arte Especiais – OAE
  • Bueiros ou Obras de Arte Correntes – OAC

O Major Oscar Ramos Pereira, em seu livro ABC das Rodovias, define:

Obras de Arte Correntes: “vão até 2,0 metros entre os muros de sustentação ou de diâmetro de tubos. São empregadas na drenagem de pequenos cursos d’água e das águas pluviais, sob a forma de bueiros e drenos.”

Já João Luderitz, em sua obra Estradas de Rodagem, define:

Obras de arte correntes: “são drenos, bueiros e pontilhões até 6,0 metros.”

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT – atribui o termo “obra de arte corrente” apenas aos bueiros.

Algumas bancas já consideraram que obras de arte correntes englobam também sarjetas, drenos, descidas d’água, valetas, e meios-fios de concreto. Recomenda-se então que, se o enunciado não questionar essa distinção, considere correto englobar essas outras obras na definição de obra de arte corrente.

 

2. Conceito

Bueiros ou obras de arte correntes – OAC são dispositivos drenantes constituídos por linha de escoamento d’água, sobre o terreno natural, tendo todo o aterro sobre si, normalmente posicionados transversalmente a plataforma, permitindo a livre passagem d’água sob a rodovia. Podem drenar as águas precipitadas fora do corpo estradal e acumuladas nos talvegues naturais ou precipitadas sobre a plataforma e taludes de cortes e acumuladas em caixas coletoras.

 

3. Classificação

Pode-se classificar as OAC’s quanto à/ao:

  • Forma de seção transversal:
    • Bueiro Tubular

    • Bueiro Celular

    • Bueiro Especial: forma de arco, ovoide ou quadrada/retangular (capeado).

 

 

  • Número de linhas:
    • Bueiro Simples

    • Bueiro Duplo

    • Bueiro Triplo

 

  • Tipo de material:
    • Bueiro de Concreto Armado

    • Bueiro Metálico

    • Bueiro de Alvenaria ou Pedra

    • Bueiro de PVC

  • Esconsidade:
    • Normal: o eixo do bueiro é ortogonal ao eixo da estrada;
    • Esconso: o eixo do bueiro não é ortogonal ao eixo da estrada.

4. Elementos Constituintes

    Corpo: estrutura com a função efetiva de dar passagem às águas.

    Berço: constitui a base de assentamento do bueiro; normalmente de concreto.

    Boca: dispositivo de entrada (montante) e/ou saída (jusante) dos bueiros, integrando o bueiro ao corpo do aterro.

    Recobrimento: aterro de cobertura ao bueiro, com altura mínima estabelecida em função do tipo e dimensão do bueiro.

    Declividade: inclinação longitudinal do bueiro cuja função é forçar o escoamento apropriado das águas, evitando velocidades excessivas.

5. Outras obras de drenagem

A fim de evitar confusões quanto às diversas obras de drenagem, é importante aqui expor o objetivo de outros tipos de obras de drenagem e configurações dos mesmos.

a) drenos profundos

Os drenos profundos são dispositivos utilizados para interceptar fluxos das águas subterrâneas e rebaixar o lençol freático, captando e escoando as águas, de maneira a evitar que a ação das águas subterrâneas possa afetar a resistência do material do subleito e do pavimento, prejudicando o desempenho pretendido.

b) camadas drenantes

Camada de material granular, com granulometria apropriada colocada logo abaixo do revestimento, seja ele asfáltico ou de concreto de cimento, com a finalidade de drenar as águas infiltradas para fora da pista de rolamento.

c) descidas d’água

As descidas d’água para taludes de cortes são dispositivos destinados a conduzir através dos taludes de cortes as águas de talvegues interceptados pela rodovia, sendo que a descarga se faz normalmente em caixas coletoras de bueiros de greide ou, excepcionalmente, na própria sarjeta de corte.

As descidas d’água em taludes de aterros são dispositivos locados nos pontos mais baixos, destinados a conduzir através dos taludes de aterros as águas de plataforma coletadas por sarjetas ou meios-fios de aterros e os fluxos de bueiros de greide que descarregam no talude de aterro, normalmente são complementadas por dissipadores de energia.

d) dissipador de energia

Dissipadores de energia são dispositivos que têm a função de reduzir a energia de fluxos d’água concentrados por outros dispositivos de drenagem, promovendo a redução de velocidade de escoamento, minimizando os efeitos erosivos quando da disposição final junto ao terreno natural.

e) bueiro de greide

Consiste numa linha de tubos de concreto, normalmente armado, apoiado num berço de concreto magro, quase à superfície da plataforma de terraplenagem, com objetivo de propiciar adequadas condições de deságue das águas coletadas por dispositivos de drenagem superficial cuja vazão admissível tenha sido atingida ou drenar pontos baixos.

f) sarjeta de aterro

A sarjeta de aterro tem como objetivo captar as águas precipitadas sobre a plataforma de modo a impedir que provoquem erosões na borda do acostamento e/ou no talude do aterro, conduzindo-as ao local de deságue seguro.

g) sarjeta de corte

A sarjeta de corte tem como objetivo captar as águas que se precipitam sobre a plataforma e taludes de corte e conduzi-las, longitudinalmente à rodovia, até o ponto de transição entre o corte e o aterro, de forma a permitir a saída lateral para o terreno natural ou para a valeta de aterro, ou então, para a caixa coletora de um bueiro de greide.

h) caixas coletoras

As caixas coletoras têm como objetivos principais:

  • Coletar as águas provenientes das sarjetas e que se destinam aos bueiros de greide;
  • Coletar as águas provenientes de áreas situadas a montante de bueiros de transposição de talvegues, permitindo sua construção abaixo do terreno natural;
  • Coletar as águas provenientes das descidas d’água de cortes, conduzindo-as ao dispositivo de deságue seguro;
  • Permitir a inspeção dos condutos que por elas passam, com o objetivo de verificação de sua funcionalidade e eficiência;
  • Possibilitar mudanças de dimensão de bueiros, de sua declividade e direção, ou ainda quando a um mesmo local concorre mais de um bueiro.

i) valeta de proteção de corte

As valetas de proteção de cortes têm como objetivo interceptar as águas que escorrem pelo terreno natural a montante impedindo-as de atingir o talude de corte.

j) valeta de proteção de aterro

As valetas de proteção de aterros têm como objetivo interceptar as águas que escoam pelo terreno a montante, impedindo-as de atingir o pé do talude de aterro. Além disso, têm a finalidade de receber as águas das sarjetas e valetas de corte, conduzindo-as com segurança, ao dispositivo de transposição de talvegues

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Segundo o DNIT – Publicação IPR 700 – Glossário de termos técnicos rodoviários:

OBRA DE ARTE CORRENTE: Obra de Arte de pequeno porte, tal como bueiro, pontilhão e muro, que normalmente se repete ao longo da estrada, obedecendo geralmente a projeto padronizado.

OBRA DE ARTE ESPECIAL: Estrutura, tal como ponte, viaduto ou túnel que, pelas suas proporções e características peculiares, requer um projeto específico.