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Engenharia

Obras Rodoviárias – SICRO

By 7 de março de 2019 No Comments

1.Introdução

O SICRO – Sistema de Custos Rodoviários –  é um sistema de cálculo dos custos unitários dos insumos e serviços necessários à execução das obras de construção restauração e sinalização rodoviária e dos serviços de conservação rodoviária e foi desenvolvido para servir como referencial de custos para as licitações de obras rodoviárias, tendo sido inclusive mencionado na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

A versão abordada é a atualmente utilizada: SICRO 2.

 

2. Preço de Obra Rodoviária

Estrutura de Custos

A formação do Preço de Venda ou Preço Total de uma obra, em geral, e das obras rodoviárias, em particular, apresenta, na sua origem, estrutura assemelhada à seguinte:

Custo Direto dos Serviços representa a soma dos custos dos insumos (equipamentos, materiais e mão-de-obra) necessários à realização dos serviços de todos os itens da planilha.

Consideram-se como Custos Diretos (CD) todos os custos que constam na planilha orçamentária. Os itens de serviços que não constarem da planilha serão classificados como indiretos e, conseqüentemente, vão integrar o LDI (Lucro e Despesas Indiretas), sendo, portanto, rateados sobre os custos diretos.

Custo de Administração Local representa todos os custos locais que não são diretamente relacionados com os itens da planilha e, portanto, não são considerados na composição dos custos diretos. Inclui itens como: Custo da Estrutura Organizacional (pessoal), Seguros e Garantias de Obrigações Contratuais e Despesas Diversas.

Apesar de o SICRO não considerar a Administração Local como custo direto, integrando assim o custo indireto e o LDI, existe decisão do TCU, firmando o entendimento de que ela deve constar na planilha orçamentária e não no LDI, visando maior transparência. O mesmo se aplica aos itens Instalação de Canteiro e Acampamento e Mobilização e Desmobilização.

Mobilização e Desmobilização compreende as despesas para transportar, desde sua origem até o local onde se implantará o canteiro da obra, os recursos humanos, bem como todos os equipamentos e instalações (usinas de asfalto, centrais de britagem, centrais de concreto, etc.) necessários às operações que aí serão realizadas. Estão, também, aí incluídas as despesas para execução das bases e fundações requeridas pelas instalações fixas e para sua montagem, colocando-as em condição de funcionamento. Como, de um modo geral, a desmobilização de equipamentos e instalações se faz a fim de transportá-los para uma nova obra, não será prevista parcela específica para este fim, com vistas a evitar dupla remuneração.

O SICRO considera a Mobilização e Desmobilização como Custo Direto. Entretanto, na maioria das vezes é prevista somente a parcela de Mobilização, conforme descrito.

Canteiro e Acampamento tem por finalidade cobrir os custos de construção das edificações e de suas instalações (hidráulicas, elétricas, esgotamento) destinadas a abrigar o pessoal (casas, alojamentos, refeitórios, sanitários, etc.) e as dependências necessárias à obra, (escritórios, laboratórios, oficinas, almoxarifados, balança, guarita, etc.), bem como dos arruamentos e caminhos de serviço. Também é considerado como Custo Direto, no SICRO.

Eventuais é percentual aplicado ao custo para cobertura de despesas não previstas. No SICRO, despesas eventuais são desconsideradas. Numa empreitada por preços unitários, que é a forma de contratação mais usual no DNIT, as variações para mais ou para menos nos quantitativos de serviços são resolvidas pelas medições, que aferem as quantidades efetivamente realizadas. As flutuações nos preços dos insumos são compensadas pelo índices de reajustamento das faturas e, finalmente, serviços novos não previstos inicialmente nos editais de licitação, como aqueles decorrentes de alterações de projeto, são possíveis de aditivo através da inclusão de novos preços no contrato. Dependendo do caso, reserva-se para esta rubrica percentuais de 0 a 5% do Custo Direto. No caso do SICRO, pelas razões apresentadas,considera-se este custo 0%.

Despesas Financeiras resultam da necessidade de financiamento da obra por parte do Executor e integram o LDI. Esta necessidade ocorre sempre que os desembolsos mensais acumulados forem superiores às receitas acumuladas. Usa-se como parâmetro a taxa de juros básica do Banco Central SELIC, aplicada sobre o Preço de Venda sem a Margem, durante um mês. As despesas financeiras decorrentes de inadimplência do Contratante, por serem eventuais, não podem ser consideradas na estimativa de custos.

Administração Central é a parcela do Preço Total que corresponde à quota parte do custo da Administração Central do Executor, a ser absorvida pela obra em tela; A Administração Central é considerada Custo Indireto e integra o LDI. É calculada como um percentual do Custo Direto.

Tais custos envolvem, entre outros: honorários de diretoria, despesas comerciais e de representação, administração central de pessoal, administração do patrimônio, aluguéis da sede, comunicações, materiais de expediente, treinamento e desenvolvimento tecnológico, viagens do pessoal lotado na sede etc. É um valor extremamente difícil de ser determinado por via analítica, pois depende do porte da empresa, de sua estrutura organizacional, de sua política de negócios e, ainda, do volume de obras que está realizando, ou seja, da composição do seu faturamento, sobre o qual recai este ônus.

Margem é uma parcela destinada a remunerar os fatores da produção do Executor que intervêm na obra, tais como: capital aplicado em equipamento, capacidade administrativa, conhecimento tecnológico e risco do negócio, bem como de prover recursos para o pagamento de impostos sobre o resultado. Integra o LDI.

Impostos Incidentes sobre o Faturamento – são o ISS (quando devido, e de acordo com as alíquotas estabelecidas pelas Prefeituras Municipais), o PIS e a COFINS (ambos federais, incidem sobre o preço total). Integram o LDI.

 

CD LDI
Administração Local (decisão TCU) Administração Central
Canteiro e Acampamento Despesas Financeiras (excluídas as derivadas de inadimplência)
Mobilização e Desmobilização Margem
Custos Diretos de Serviços (Equipamentos, Materiais e M.O.) Impostos

Preço Total ou Preço de Venda

As fórmulas gerais dos Custos Diretos (CD) e do Preço de Venda (PV) assumirão as expressões:

Onde: CD=Custo Direto Total; Cd=Custo Direto dos Serviços; CA=Canteiro e Acampamento; MD=Mobilização e Desmobilização; PV=Preço de Venda; I=Impostos; A=Administração Central e Local; DF=Despesas Financeiros; M=Margem.

 

Conceito de LDI

O LDI (Lucros e Despesas Indiretas), ou BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é um valor que reflete os custos com as despesas indiretas e a margem de lucro do executor da obra.

O LDI incide sobre os Custos Diretos (CD) e não sobre preço de venda ou faturamento. No SICRO, o LDI está incluso nas Composições de Custos Unitários, como um percentual sobre o CD.

A relação entre o Preço Total ou Preço de Venda (PV) e o Custo Direto (CD) constitui o fator de LDI (Lucro e Despesas Indiretas), que é expresso por:

O LDI em percentagem, é dado pela expressão:


Existe decisão do TCU determinando que os tributos IRPJ e CSLL não devem integrar o cálculo do LDI, nem tampouco a planilha de custo direto, por se constituírem em tributos de natureza direta e personalística, que oneram pessoalmente o contratado, não devendo ser repassado à contratante.

Então, apesar de constarem no Manual de Custos Rodoviários do DNIT, tanto CPMF quanto IRPJ e CSLL não fazem parte do orçamento de obra rodoviárias.

Os custos relativos a uniformes, equipamentos de segurança, alimentação e transporte de pessoal serão considerados como integrantes dos Adicionais sobre Mão-de-Obra, por estarem diretamente relacionados com a força de trabalho empregada e por serem previstos, em muitos casos, nas próprias convenções coletivas de trabalho. Devem integrar os Custos Diretos.

A tabela abaixo é mais recente que o manual e reflete a atualização quanto aos impostos. Ela estima o LDI em 26,70% sobre CD.

Apesar de no SICRO não considerar as chamadas despesas eventuais, o DNIT, atualmente, considera um percentual de 0,5% sobre os Custos Diretos para cobrir as despesas com Riscos. As Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2012 prevê na composição dos Benefícios e Despesas Indiretas a “taxa de risco, seguro e garantia do empreendimento”.

 

3. Custos Unitários dos Insumos

a) Custo da Mão-de-Obra

Metodologia

A determinação de preços regionais obedecerá aos seguintes critérios:

  • Para categorias contempladas pelas Convenções Coletivas de Trabalho (CCT): Maior piso salarial da região.
  • Para categorias não contempladas nas Convenções Coletivas de Trabalho (CCT): realizar pesquisa salarial e adotar a média.
  • Sugere-se frequência anual mínima para as revisões de rotina, podendo haver pesquisas intermediárias sempre que houver possibilidade de mudança significativa no mercado de mão-de-obra da construção.

O custo da mão-de-obra é calculado pelo SICRO considerando todo o trabalho desenvolvido em horas normais, gastas para a realização do serviço, somando a estas os encargos sociais.

M.O = Horas normais + Encargos sociais

(Não são consideradas horas extraordinárias ou trabalho noturno)

   

Quanto aos encargos sociais, o regime de trabalho considerado é o de horista com horas normais de trabalho, sendo que o percentual aplicado é de 126,30% sobre o custo da mão-de-obra.

O SICRO considera, para a mão-de-obra, o regime trabalhado como o de horista e não o mensalista, este último possui um valor menor por incidir menos encargos nos salários dos trabalhadores.

Os custos referentes a mão-de-obra receberão o seguinte tratamento para serem inseridos nos custos dos serviços rodoviários:

  • Para as categorias de servente e operário qualificados, que têm o piso básico determinado nas convenções coletivas de trabalho serão adotados, para a região, o maior valor encontrado nos diversos estados que o compõem.
  • Para as demais categorias serão calculados pela fórmula:

Padrões salariais das principais categorias no SICRO

Consideram-se os trabalhadores como horistas, trabalhando 220 horas por mês.

 

Encargos Sociais

Os encargos sociais são encargos obrigatórios exigidos pelas Leis Trabalhistas ou resultantes de Acordos Sindicais adicionados aos salários dos trabalhadores, representados por uma parcela percentual que pode variar de acordo com a região e com as peculiaridades da obra.

Os encargos sociais dividem-se em três níveis: encargos básicos e obrigatórios; encargos incidentes e reincidentes; e encargos complementares.

O SICRO divide os encargos sociais em quatro grupos:

  • Grupo A: neste grupo estão incluídas as obrigações que incidem diretamente sobre a folha de pagamento e que são regulamentadas de acordo com a legislação, sendo percentuais fixos. São usualmente chamados de encargos sociais básicos.
  • Grupo B: neste grupo são considerados os dias em que não há prestação de serviço, mas que o funcionário tem direito de receber sua remuneração. Sobre estes dias incidem os encargos do grupo A.
  • Grupo C: neste grupo estão os encargos pagos diretamente aos empregados e, assim sendo, os que não incidem sobre eles os encargos do Grupo A.
  • Grupo D: neste grupo estão os encargos referentes à incidência sobre outros encargos: incidência do Grupo A sobre B e incidência de multa do FGTS sobre o 13° salário.

Foram adotados os valores médios ocorridos no setor da Construção Rodoviária.

Os nomes dos encargos do grupo A são comumente cobrados em provas, é importante memorizá-los. Já os percentuais, não.

Os encargos do grupo A são fixos independentemente da empresa que for executar os serviços. Já, os encargos sociais dos grupos B e C são inerentes a cada empresa, pois dependem de fatores relacionados ao histórico dos funcionários daquela empresa, em especial às horas não trabalhadas e remuneradas, tais como: dias não trabalhados por dispensa médica (auxílio enfermidade), por acidentes (auxílio acidente), nascimento de filhos (licença paternidade) etc., além da rotatividade média dos trabalhadores daquela empresa, pois incidem, também, nos encargos sociais multa rescisória por demissão sem justa causa, aviso prévio indenizado.

No Grupo C, foi adotada pelo SICRO uma taxa de rotatividade média de 9 meses para 95% dos empregados. Esses encargos são pagos diretamente aos empregados e, assim sendo, não incidem sobre eles os encargos do Grupo A.

Em se tratando de SICRO, no cálculo do custo da mão-de-obra, ainda cabe ressaltar os seguintes aspectos:

  • Insalubridade – A aplicação deste acréscimo, o percentual a ser adotado e as proteções a serem fornecidas dependem das condições de trabalho, de acordo com perícia técnica. Assim sendo, não será considerada esta parcela.
  • Periculosidade – De acordo com a CLT deve ser acrescido percentual de 40 % às categorias que trabalhem com risco de vida tais como: manuseio de explosivos ou locais sujeitos a desmoronamento. Foi incluído este percentual nas categorias de Blaster e trabalhadores em Tubulão.
  • Paralisação dos serviços – O deslocamento da equipe deverá ser considerado na produção dos serviços, enquanto os dias de chuva (devido a grande variação, de acordo com a região e o período de realização da obra) devem ser incluídos no LDI.
  • Licença Maternidade – este item não foi considerada tendo em vista que praticamente a totalidade da mão-de-obra dos trabalhadores horistas da construção rodoviária é de homens.
  • Aviso Prévio Trabalhado – este procedimento não foi considerado, tendo em vista que esta prática não é usual na construção civil pesada.

Aviso Prévio Trabalhado é diferente de  Aviso Prévio Indenizado, sendo este último considerado no Grupo C dos encargos sociais.

  • PIS / PASEP – deve ser considerada como parte do LDI.
  • FINSOCIAL – deve ser incluído no LDI.
  • Contribuição Sindical – facultativa, assim sendo não foi considerada.

 

Adicional à Mão-de-Obra

Além dos encargos sociais, devem ser feitas as seguintes observações com referências à outros custos que incidem sobre a mão-de-obra, a seguir relacionados, que foram intitulados de Adicional à Mão-de-Obra, pois são diretamente proporcionais à mão-de-obra empregada.

Os percentuais referentes aos Equipamentos de Proteção Individual, Transporte e Alimentação não são considerados no cálculo dos custos unitários das composições de custos do SICRO, estes só deverão ser levados em consideração nos orçamentos de acordo com as exigências locais.

O percentual referente às Ferramentas Manuais deverá ser incluído no cálculo do custo unitário sempre que for necessário a execução do serviço. O SICRO considera que o percentual sobre a mão-de-obra do custo com ferramentas manuais, necessária a execução de determinados serviços, é de 5,00%. Por ferramentas manuais entendem-se as de uso exclusivo de um profissional e de uso proporcional à atividade executada por ele (colher de pedreiro, desempenadeira, martelo, chave turquesa, etc.).

 

b) Custo dos Equipamentos

Metodologia

A determinação de preços regionais para Equipamentos obedecerá ao critério de menor valor pesquisado na região, dentre no mínimo 3 preços de cada item. Na impossibilidade, preços colhidos de outras entidades, reconhecidamente idôneas.

Custo Horário

As despesas que são consideradas para o cálculo do custo horário de um equipamento são as seguintes:

  • Custos de Propriedade
    • Depreciação (método da linha reta)
    • Custo de Oportunidade do Capital
    • Seguros e Impostos (contempla IPVA e seguro obrigatório)
  • Custos de Manutenção
    • Reparos em geral
    • Material rodante / pneus
    • Partes de desgaste (bordas cortantes, dentes de caçamba, ferramenta de penetração no solo, entre outras)
  • Custos de Operação
    • Combustível
    • Filtros e lubrificantes
    • Mão-de-obra de Operação

Considera-se o custo de equipamento tanto operativo quanto improdutivo.

O custo horário de um equipamento é a soma dos custos de propriedade, manutenção e operação referidos à unidade de tempo (hora). Ele é utilizado para o cálculo dos custos unitários dos serviços que o equipamento produz, obtidos da seguinte relação:

Custo horário de equipamentos = Propriedade + Manutenção +Operação

 

Custo de Propriedade

  • Depreciação

 

Relativamente à parcela de depreciação, o valor correspondente depende do valor de aquisição do equipamento, de seu valor residual (ao final da vida útil) e da vida útil do equipamento.

O modelo adotado pelo SICRO é o método da linha reta:

onde

dh = Depreciação horária;

Va = Valor de aquisição;

R = Valor residual;

n = Vida útil (em anos);

HTA = Quantidade de horas trabalhadas por ano.

 

Para o valor de aquisição é considerado o preço à vista, acrescido dos impostos (ICM e IPI), frete e embalagem. Serviços extras como supervisão de montagem, garantia, assistência técnica, peças de reposição, etc, não deverão ser incluídos no preço dos equipamentos. Eventuais bonificações praticadas pelo fabricante ou distribuidor autorizado, como desconto por quantidade ou qualquer outra mensurável em dinheiro, deverão ser utilizadas visando melhor aproximar o preço coletado com o realmente cobrado pelo estabelecimento.

Nos estados onde se realizam pesquisas, são coletadas informações de preço, preferencialmente, junto aos representantes autorizados. Caso não exista representação local, são considerados os preços cobrados pelos fabricantes, ou seus distribuidores nacionais acrescido do respectivo custo de frete até a capital do estado.

O valor residual é obtido por meio de pesquisa de mercado de máquinas usadas, nas praças do Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, o SICRO pode adotar valores percentuais, obtidos por pesquisa, em relação ao valor de cada tipo de equipamento novo, conforme a seguir:

 

Tipo de Equipamento Valor Residual (%)
Caminhão Basculante 20
Distribuidor de Agregados 10
Escavadeira Hidráulica 20
Motoscraper 15
Rolo Compactador Pé de Carneiro Vibratório 10

 

A vida útil é obtida por pesquisa junto a fabricantes, usuários e publicações especializadas. A vida útil é influenciada tanto pelas condições de manutenção como pelas condições de trabalho. O SICRO considera as três condições de trabalho: Leves, Médias e Pesadas. Contudo, as composições de custos levam em conta os custos horários dos equipamentos trabalhando em condições médias.

 

 

  • Custo de Oportunidade de Capital

 

Dentre os diferentes itens tradicionais que compõem a estrutura de custos de construção encontram-se os juros sobre o capital imobilizado para o desenvolvimento da atividade. Eles representam o custo, incorrido pelo empresário, pelo fato de aplicar, num negócio específico, seu capital próprio ou o capital captado de terceiros. No que diz respeito aos juros relativos ao capital aplicado em equipamentos, existem duas alternativas de imputação.

Tradicionalmente, eles são imputados diretamente no cálculo do custo horário do equipamento. Outra forma de fazê-lo, seria computar seu valor agregado ao resultado da operação global, ou seja, remetê-los ao LDI. Embora a forma tradicional de cálculo apresente algumas vantagens, dentre as quais a principal é a maneira simples como se efetua seu cálculo, optou-se por incluir essa parcela de custo no LDI, ou seja, a margem de lucro prevista é que deve remunerar o custo do capital investido em equipamento de construção.

 

 

  • Seguros e Impostos

 

Regra geral, devido ao alto custo envolvido, os grandes frotistas de equipamentos não fazem seguro de todos seus equipamentos em companhias seguradoras, a não ser em casos especiais.

Eles próprios bancam os riscos, representados principalmente por avarias, já que os roubos de equipamentos de maior porte são raros. Já com relação aos veículos o procedimento é distinto. A porcentagem dos que são segurados tende a crescer, mas é muito variável de empresa para empresa.

O SICRO considera, a título de Seguros e Impostos, somente o IPVA e o Seguro Obrigatório necessário para a regularização do veículo.

O IPVA, (Imposto de Propriedade de Veículos Auto Motores), imposto estadual relativo a licenciamento de veículos, varia com a idade do mesmo, segundo regras próprias para cada Estado, além do Seguro Obrigatório, ligado a ele, seriam os únicos valores a serem considerados nessa rubrica, totalizando incidência total de 2,5% sobre o investimento médio em veículos.

 

Custo de Manutenção

Os custos horários de manutenção utilizados pelo SICRO são obtidos através da expressão:

onde

M = custo horário da manutenção (R$/h);

V0 = valor de aquisição do equipamento (R$);

H = vida útil (h);

K = coeficiente de manutenção.

 

Os valores do coeficiente K, variáveis para cada modalidade de equipamento e em função da qualificação/habilidade dos operadores e das condições de trabalhos, estão, com base em modelos dos fabricantes, tabelados pelo SICRO. Situam-se em geral entre 0,5 e 1,0.

Os custos de manutenção incluem materiais e mão de obra necessários para execução dos reparos em geral, material rodante ou pneus e materiais especiais de desgaste.

Admite-se, como premissa dos cálculos de custo, que o equipamento será operado razoavelmente e terá bom atendimento para sua manutenção.

 

Custo de Operação

As despesas com combustíveis são baseadas em pesquisas em Manuais de Fabricantes e Revistas Técnicas especializadas.

Essas despesas incluem custos com lubrificantes e filtros, através de um aumento percentual de 20% para os motores a óleo diesel, e 10% para motores a gasolina.

No custo horário da mão-de obra de operação devem ser incluídos o salário horário dos motoristas e operadores, os encargos sociais e o adicional à mão de obra.

 

c) Custo dos Materiais

Metodologia

A determinação de preços regionais para Materiais obedecerá ao critério de menor valor pesquisado na região, dentre no mínimo 3 preços de cada item. Na impossibilidade, preços colhidos de outras entidades, reconhecidamente idôneas.

Para materiais considera-se preço à vista e que contenha a carga tributária. Considerar preferencialmente comércio atacadista. Não inclui frete (exceto cimento a granel).

Ao contrário dos demais insumos – mão-de-obra e equipamentos – que requerem uma série de cálculos preliminares, a fim de que seus valores de mercado possam ser utilizados no cômputo dos custos de obras e serviços, os preços de aquisição dos materiais levantados  pelo sistema de coleta são empregados diretamente nas composições de custo, desde que satisfaçam às seguintes condições:

  • se refiram a preços para condições de pagamento à vista;
  • contenham toda a carga tributária que sobre eles incide;
  • expressem o preço relativo à mesma unidade de medida em que é empregado na composição de custo.

Nos estados onde se realizam pesquisas, são coletadas informações de preço para cada material, em pelo menos três estabelecimentos. Para os estados onde não seja possível a pesquisa de um item, será considerado o preço unitário estimado para a região.

Os preços dos materiais, levantados pelo sistema de coleta, não incluem fretes para seu transporte até o local da obra, uma vez que estes se destinam à inclusão nas tabelas do SICRO, para uso genérico e não para o caso de qualquer obra em particular. O engenheiro de custos, ao elaborar um orçamento específico, deve utilizar composições de transporte comercial, para levar em conta o custo desse deslocamento.

Os preços dos materiais betuminosos são os acompanhados e divulgados pela Agência Nacional do Petróleo – ANP, de acordo com a Portaria 349, de 6/3/2010, do DNIT, conforme o art. 1º, que diz:

“Art. 1º – Todos os materiais betuminosos necessários às obras ou serviços rodoviários do DNIT financiadas com Recursos Ordinários do Tesouro serão inseridos nas planilhas de quantidade de projetos e de planos de trabalho, para aquisição pela empresa contratada, com os preços definidos pelo acompanhamento de preços regionais de distribuição de asfaltos, realizado pela Agência Nacional do Petróleo – ANP, acrescidos das respectivas alíquotas de ICMS e com LDI de 15% (quinze por cento).”

4. Composição dos Custos

a) Introdução

O SICRO considera as seguintes categorias de serviço, segundo sua natureza e finalidade:

  • Construção: correspondem às obras de implantação ou construção propriamente ditas;
  • Conservação: são aqueles necessários à manutenção, dentro das condições normais de uso, das obras já construídas;
  • Sinalização: são constituídos pela colocação de sinais por meio de marcas, símbolos ou legendas sobre o revestimento da rodovia ou sobre dispositivo montado em suportes verticais, com finalidade de atender ao conforto e segurança dos usuários;
  • Restauração: são aqueles correspondentes às obras de melhoramentos ou reconstrução das rodovias que, após certo tempo de uso ou devido a quaisquer condições adversas, tiveram suas características construtivas iniciais deterioradas a ponto de não poderem ser reconstituídas por simples serviços de conservação.

Na Engenharia, a expressão “obra” é frequentemente utilizada para descrever o resultado físico que é obtido através da realização de um conjunto de serviços ou atividades.

No Manual de Custos Rodoviários do DNIT  são consideradas obras as:

  • Obras de Construção Rodoviária;
  • Obras de Restauração Rodoviária;
  • Obras de Sinalização Rodoviária.

e serviço, os:

  • Serviços de Conservação Rodoviária.

 

Após estabelecimento dos custos unitários dos insumos para execução dos serviços rodoviários, é necessário relacionar tais insumos.

Na maior parte dos casos, os serviços de construção são realizados por grupos de equipamentos de diferentes tipos, que trabalham em conjunto constituindo o que usualmente se denomina equipe mecânica ou patrulha. Do fato de ter cada um desses equipamentos, nas condições em que trabalha, uma determinada produção efetiva, resulta a necessidade de se dimensionar a quantidade dos diferentes tipos de equipamentos de forma a maximizar a produção da patrulha. Isso é usualmente denominado otimização do equilíbrio interno da patrulha.

EM geral, obter-se-á sempre maior economicidade no trabalho da patrulha quando o equipamento escolhido para comandar seu ritmo for aquele de maior custo horário.

 

b) Ciclo dos Equipamentos

Os equipamentos, em geral, realizam operações repetitivas, ou seja, trabalham em ciclos. Entende-se por ciclo o conjunto de ações ou movimentos que o equipamento realiza desde sua partida, de uma determinada situação, até seu retorno a uma situação semelhante, que marca o início de um novo ciclo.

Cada equipamento tem o seu ciclo. A definição de ciclo é para o equipamento, e não para a equipe ou conjunto de equipamentos. O tempo decorrido entre as duas situações é denominado duração do ciclo ou tempo total do ciclo, que determina um intervalo, durante o qual o equipamento em questão realiza certa quantidade de serviço.

 

Tempo Total do Ciclo = tempo fixo + tempo de ida + tempo de retorno

 

A quantificação do serviço realizado durante um ciclo e seu tempo total de duração são elementos fundamentais para a determinação da produção horária do equipamento, para dimensionar e equilibrar o restante dos equipamentos que com ele formam patrulha, bem como para calcular a produção da própria patrulha.

Quanto menor o tempo de ciclo maior será a produção, o que é desejável.

 

c) Equilíbrio das Equipes Mecânicas ou Patrulhas

Em termos práticos, o equilíbrio se dá sempre em torno do equipamento eleito como principal ou que comandará o ritmo da patrulha, figurando os demais como seus coadjuvantes.

Na composição de custo, o equipamento principal é aquele cuja utilização operativa é igual a 1,00 (100%) e, consequentemente, a utilização improdutiva é 0,00. Os demais equipamentos, com velocidade de produção distinta, precisam esperar por tempo determinado, a cada ciclo, para também produzir. Com isso, esses equipamentos apresentam parcela do tempo improdutivo.

Selecionado o equipamento principal e conhecidos a produção que este realiza durante um ciclo, bem como o tempo total do ciclo, será calculada sua produção horária.

O mesmo procedimento será adotado para cálculo da produção horária dos demais componentes da patrulha. Fazendo-se as relações entre a produção horária do equipamento principal e a dos demais, a quantidade destes será estabelecida como resultado destes quocientes, arredondados sempre a maior, para valores inteiros.

 

d) Tempo Operativo vs. Tempo Improdutivo

Durante a hora operativa, o equipamento está operando normalmente, sujeito às restrições que são levadas em conta quando se aplica o fator eficiência. O custo operativo envolve tempo produtivo (em que o equipamento está efetivamente executando tarefas) e tempo em espera (em que os motores estão funcionando em marcha lenta ou com pequenos deslocamentos).

Na hora improdutiva, o equipamento está parado, com o motor desligado, aguardando que o equipamento que comanda a equipe permita-lhe operar.

Em consequência desses conceitos, o custo horário operativo é calculado somando-se os custos horários de depreciação, operação, manutenção e mão-de-obra. O custo horário improdutivo é igual ao custo horário da mão-de-obra. Não se consideram os outros custos, pois se admite que estes ocorram somente ao longo da vida útil, expressa em horas operativas.

e) Produção das Equipes Mecânicas

A produção das equipes mecânicas corresponde sempre à de seu equipamento principal devido ao próprio princípio através do qual as patrulhas são compostas. Esta produção pode ser determinada por método teórico ou empírico

 

Método Teórico

O método teórico para determinação da produção de uma equipe mecânica parte do princípio de que esta será sempre igual à produção do seu equipamento principal.

A produção do equipamento principal, por sua vez, é calculada através de fórmulas específicas para cada tipo de equipamento. Levando em conta uma série de variáveis intervenientes, que são função das características do equipamento e do serviço que este realiza, bem como alguns fatores de correção, cuja finalidade é de adaptar os resultados às condições reais em que os serviços são realizados. Usualmente são empregados os seguintes fatores de correção:

  • Fator de Eficiência
  • Fator de Conversão
  • Fator de Carga

Fator de Eficiência

É a relação entre o tempo de produção efetiva e tempo de produção nominal .

Para cada hora de trabalho do equipamento, o SICRO considera 50 minutos de trabalho efetivo, devido a tempos gastos em alterações de serviço ou deslocamento, preparação de máquina para trabalho e manutenção.

Esse valor (0,83) é o adotado para corrigir o tempo de produção nominal do equipamento, ou seja, é o valor considerado para adaptar a situação ideal (preconizada no catálogo do equipamento) à situação real.

Para determinadas atividades que dependem de conjugação com outras para a efetivação do ciclo de produção, ou para alguns serviços, como extração de areia com draga, foram feitas adequações neste valor.

Para as obras de restauração o fator de eficiência adotado é de 45 min / 60 min = 0,75. Para os transportes locais, que serão vistos mais à frente, o Fator de Eficiência é multiplicado por 0,90: (0,90 x 0,83 = 0,75).

 

Fator de Conversão

É a relação entre o volume do material para o qual está sendo calculado o custo unitário e o volume do mesmo material que está sendo manuseado. Na terraplenagem, representa a relação entre o volume de corte e volume solto.

  • Material de 1ª categoria: FC = 1,0 / 1,3 = 0,77
  • Material de 2ª categoria: FC = 1,0 / 1,39 = 0,72
  • Material de 3ª categoria: FC = 1,0 / 1,75 = 0,57

O fator de conversão está relacionado ao fator de empolamento (estudado na aula de Terraplenagem). Apesar de cada material apresentar fator de empolamento próprio, o SICRO adotou os valores acima representativos dos materiais mais comuns com o intuito de estabelecer preços referenciais.

 

Fator de Carga

É a relação entre a capacidade efetiva do equipamento e a capacidade nominal. Os valores adotados encontram-se nas faixas recomendadas pelos fabricantes e são os seguintes:

  • Material de 1ª categoria: FCg = 0,90
  • Material de 2ª categoria: FCg = 0,80
  • Material de 3ª categoria: FCg = 0,70

O fator de carga é utilizado para corrigir a capacidade ideal do equipamento da situação real, por exemplo, mede a percentagem de ocupação do material na caçamba do caminhão, já que nem todo o espaço é ocupado pelo material, que necessitaria de uma acomodação para melhor ocupar o espaço.

O fator de carga também diminui à medida que as categorias de classificação dos solos aumentam, ou seja, esse fator é tanto maior quanto menor os grãos do material.

Categoria do Material Fator de Eficiência (produção) Fator de Conversão (volume) Fator de Carga (capacidade)
1a 0,83 (ou 0,75 para transporte local ou restauração) 0,77 0,9
2a 0,72 0,8
3a 0,57 0,7

 

Cálculo do Custo Unitário

Acima encontra-se uma ficha de produção de equipe mecânica, obtida no Manual de Custos Rodoviários do DNIT.

Logo na primeira linha pode-se ver o código e o nome do serviço (Escavação, carga e transporte de material de 2a categoria da DMT de 200 a 400 m, com carregadeira), assim como a unidade de produção (metros cúbicos).

Em seguida são apresentadas as medidas para cada um dos 5 tipos de equipamentos que compõem esta patrulha. A partir da capacidade, distância, fatores de correção  e tempo de ciclo, é possível calcular a produção horária dos equipamentos, como explicitado pelas fórmulas.

O equipamento principal, como foi visto, é aquele cuja utilização operativa é igual a 1,00 (100%). Sendo assim, nesta patrulha o equipamento líder é carregadeira de pneus. Sua produção horária determina a produção da equipe e é dada pela fórmula:

Com a produção horária dos demais equipamentos, é possível calcular o número de unidades de cada um deles, de modo a possibilitar a utilização integral do equipamento principal. O trator de esteiras com lâmina e o trator de esteiras com escarificador possuem ambos produção horária superior à da carregadeira, donde se conclui que basta 1 de cada para compor a patrulha. Já o caminhão basculante tem produção horária igual a 60 m3. Sendo assim, são necessários 3 caminhões (3*60=180) para superar os 162 m3 da carregadeira.

A utilização operativa dos demais equipamentos pode ser calculada como a razão entre a produção do equipamento principal e a sua própria produção. Por exemplo, a utilização operativa do trator de esteiras com lâmina é igual a 162 / 177 = 0,92. A utilização improdutiva é simplesmente a diferença para 100%: 1,00 – 0,92 = 0,08. Já a utilização operativa dos caminhões deve levar em consideração a produção dos 3 caminhões: 162 / 180 = 0,90.

A motoniveladora é considerada nesse serviço para executar a manutenção do caminho de serviço percorrido pelo caminhão. Não participa diretamente do serviço, como pode ser percebido pela coluna em branco. Calcula-se sua utilização produtiva teoricamente em função do tamanho do caminho de serviço a manutenir.

Posteriormente, as informações de produção da equipe (em unidades do serviço por hora), de utilização operativa e improdutiva dos equipamentos são transferidos para a composição de custo unitário do respectivo serviço, incorporando a quantidade de mão-de-obra de pista necessária para executar a produção obtida, bem como os materiais para a execução de uma unidade do serviço. A composição relativa à produção da equipe mecânica anteriormente mostrada (escavação, carga e transporte) é mostrada a seguir:

Há citação ao Adicional de Mão-de-Obra (explicados na parte de Custos Unitários da Mão-de-Obra), que é uma percentagem incidente sobre o custo a ser calculado para a mão-de-obra. Esse adicional deve ser incorporado na fase de elaboração do orçamento, pois depende do tipo de serviço sendo executado e leva em conta as exigências do local de execução da obra. Engloba os custos com:

Estes são valores que o SICRO considera para os adicionais à mão-de-obra, observadas as exigências locais.os custos com ferramentas manuais devem ser incluídos apenas nos serviços que as utilizam.

Incorporando os custos de insumos, o sistema fornece a planilha de custo unitário de referência para o serviço, com valores monetários. Um exemplo de composição de custo de novembro de 2016 para o serviço de escavação, carga e transporte mostrado:

Observa-se que houve mudança nas especificações do caminhão basculante, em sua capacidade e tempo de ciclo, fazendo com que o número de caminhões e sua utilização fiquem diferentes. O sistema sofre ajustes com o tempo.

O custo horário de cada equipamento é a média dos custos operativo e improdutivo ponderada pela utilização. Por exemplo, o custo horário do caminhão basculante é calculado por:

O valor de 18,77 corresponde à remuneração horária do operador, já acrescida de encargos sociais e adicionais de mão-de-obra.

O Adicional de Mão-de-Obra não inclui ferramentas manuais, totalizando 15,51% (1,12+4,79+9,60).

O custo horário de execução é a soma dos custos de equipamentos e de mão-de-obra com seu adicional. Dividindo-se esse valor pela produção horária da equipe, chegamos ao custo unitário direto total: 1673,17 / 162 = 10,33. Aplica-se o BDI ou LDI e encontra-se o preço unitário do serviço.

Há ainda que se considerar os custos de transporte, refletidos na composição acima pelos tempos de ciclo, para os quais deve-se considerar as etapas de Carga, Descarga, Manobra e Transportes na Obra. Os custos de transporte são, em geral, calculados através de equações lineares que comportam dois termos; um fixo e outro variável: Y = ax + b. O custo fixo b é relativo às operações de carga, descarga e manobra. O custo variável é a multiplicação da distância x pelo custo unitário da tonelada*kilômetro a.

 

Método Empírico

Não confundir os conceitos aqui apresentados com o Modelo Teórico, baseado em considerações teóricas e manuais dos fabricantes, descritas acima, a partir do qual são montadas as composições de preços referenciais do SICRO. O Método Empírico, baseado em observações de campo, ainda não é adotado pelo DNIT para formulação das suas composições referenciais oficiais.

A avaliação empírica da produtividade dos equipamentos, na realização de certos serviços, requer que se conheçam basicamente os valores de duas grandezas: produção realizada durante um período determinado e os tempos de cada uma das fases por que o equipamento passou, ao longo do mesmo período, isto é, seu tempo operativo e seus tempos improdutivos devidos às diversas causas inerentes ao serviços realizados, sejam elas normais ou ocasionais.

O método mais óbvio para se realizar as apropriações de tempo seria a cronometragem contínua. Nela, um apontador, munido de cronômetro, acompanharia o equipamento durante todo o tempo em que este estivesse na frente de trabalho, anotando as horas de suas mudanças de fase. Trata-se de trabalho enfadonho, que possibilita distrações e perda de informação, além de oneroso, pois imobiliza um apontador durante todo o tempo em que cada equipamento esteja sendo levantado.

Com vistas a evitar esses inconvenientes, preconiza-se que os levantamentos dos tempos característicos das fases de trabalho dos equipamentos sejam feitos mediante a utilização do Método das Observações Instantâneas. Segundo este, que é um método de amostragem estatística, em vez de acompanhamento contínuo, o equipamento é observado em momentos precisos, quando então a atividade que estiver exercendo será classificada de acordo com categorias pré-definidas.

Com relação aos momentos em que serão feitas as observações instantâneas, alguns cuidados devem ser tomados. Estes decorrem, sobretudo, do fato dos serviços observados serem cíclicos, isto é, se processarem num determinado ritmo e de forma repetitiva. Se, por ventura, o intervalo de observação também fosse cíclico, poderia ocorrer um vício de observação, pois esta estaria sujeita a recair sucessivamente sobre a mesma ou as mesmas fases. Este inconveniente pode ser evitado fazendo com que o horário de observação seja gerado a partir de uma Tabela de Números Aleatórios.

Intervalos de tempo que se deseja levantar:

  • Tempo Operativo Produtivo
  • Tempo Operativo em esperas
  • Tempo Operativo em manobras
  • Tempo Improdutivo

 

5. Custo de Transporte

Transporte Local

Os transportes locais são aqueles realizados no âmbito da obra para o deslocamento dos materiais necessários à execução das diversas etapas de serviço. O SICRO considera o transporte local incorporado em alguns serviços, como os de escavação, carga e transporte.

Os serviços de escavação e carga de material de 1a categoria com carregadeira incluem o transporte até a distância de 5 km. A partir dessa distância, o transporte deve ser remunerado por momento de transporte, em toneladas * kilômetro (t * km).

Para os transportes locais, o Fator de Eficiência é multiplicado por 0,90, que supõe a perda de 10% do tempo realmente utilizado no trabalho, em esperas causadas por interferências de outras frentes ou equipamentos em serviço na obra; desta forma, para os transportes locais o Fator de Eficiência fica: (0,90 x 0,83 = 0,75).

A produção do equipamento de transporte depende do tipo de Rodovia e da distância percorrida, as quais irão determinar a velocidade média de trajeto. É também dependente dos tempos gastos em manobras para carga e descarga e dos tempos de carga e descarga. A influência do Tráfego de terceiros existente no percurso local é considerada na velocidade média adotada .

A produção horária de um caminhão é dada pela expressão:

onde

P = produção horária (toneladas/hora);

C = capacidade útil do caminhão (toneladas);

E = fator de eficiência;

X = distância de transporte (km);

V = velocidade média (km/h);

T = tempo total de manobras, carga e descarga (horas).

 

Transporte Comercial

São aqueles relativos ao deslocamento de materiais que vêm de fora dos limites da obra. Esse tipo de transporte é feito, geralmente, com caminhão carroceria, a não ser no caso de brita e areia cujo transporte comercial é feito em caminhão basculante. Para o cálculo do preço do transporte, devido às longas distâncias, despreza-se a parcela fixa relativa a manobras, carga e descarga.

Para o caso particular do cimento a granel, a prática no comércio é a do fornecimento CIF, isto é, a fábrica entrega o cimento na central de concreto do comprador. Portanto, o transporte já está incluído no preço do material, logo não é aqui considerado.

Usar-se-á o fator de eficiência de 50/60, ou seja, 0,83, e as velocidades de 40 km/h para rodovia não pavimentada e de 60 km/h para rodovia pavimentada.

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