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DicasFiscal

Quão inteligente preciso ser para passar em concursos públicos?

By 7 de janeiro de 2019 No Comments

Meu nome é Afrânio Pontes e fui aprovado em 2014 no concurso da Receita Federal do Brasil, órgão para o qual trabalhei entre os anos de 2015 e 2016, e atualmente exerço o cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual do Rio Grande do Sul. Gostaria de propor uma reflexão sobre o papel da inteligência no desempenho nos concursos públicos. Atraído pela estabilidade e os salários atraentes muitos candidatos se submetem a este processo de admissão na esperança de se tornar parte da burocracia estatal. Como se trata essencialmente de uma competição intelectual entre os aspirantes ao cargo, inevitavelmente surge a pergunta se se possui a inteligência necessária para ser aprovado.

Excetuando-se as etapas de alguns concursos que demandam habilidades específicas como testes de aptidão física, análise de perfil psicológico, rastreamento de personalidade, entrevistas ou testes orais, o exame típico envolve a aplicação de provas objetivas ou discursivas para aferir o conhecimento do candidato. Por se tratar conhecimento acumulado adquirido pelo estudo sistemático, podemos concluir que o principal elemento cognitivo investigado pelas comissões organizadoras de concurso é a capacidade de memória.

Esta habilidade de memorização varia entre os indivíduos. A literatura especializada apresenta os testes de Quociente de Inteligência (QI) como a principal avaliação de “inteligência”, a qual se refere sobretudo à capacidade para o reconhecimento de padrões. Há patamares mínimos de QI abaixo dos quais alguém dificilmente conseguiria ser aprovado em um concurso, pela razão de que praticamente impossibilita o aprendizado de assuntos complexos. Este é o motivo pelo qual o exército norte americano não admite recrutas com QI abaixo de 83.

No entanto, ainda que maiores níveis de QI aumentem a rapidez de aprendizagem, pessoas com valores normais poderiam alcançar o desempenho desses indivíduos com um pouco mais de esforço. No seu livro Outliers, Malcolm Gladwell utiliza a analogia das faixas de altura para os jogadores de basquete. Abaixo de uma estatura mínima dificilmente alguém poderia pleitear tornar-se profissional, por habilidoso que fosse. Porém diferenças de altura para jogadores maiores que 2 metros não representam vantagem determinante para o desempenho de um jogador de alto nível. De modo semelhante, valores de QI superiores a 120 não constituirão uma diferença significativa entre concorrentes mesmo para um cargo concorrido em um concurso público, considerando que a aprovação demanda apenas que se seja inteligente o suficiente.

A memória compõe-se de muitos fatores e diversas técnicas podem ser usadas para melhorá-la. Porém o principal aspecto do estudo é a repetição. Existe a clássica estimativa de que para alguém obter alto grau de destreza em nível internacional em alguma atividade seriam necessárias 10 mil horas de dedicação. Assim podemos deduzir que um estudante que dedicasse 10h ao estudo de determinado conteúdo, salvo raras exceções, iria sobrepujar o desempenho de alguém que tenha estudado por apenas 1h.

Em muitos sentidos o processo dos concursos públicos assemelha-se a uma corrida, em que a inteligência desempenha o papel da velocidade. No entanto, ainda que seu cérebro se comporte como um fusca em termos de desempenho cognitivo, poderá vir a superar uma Ferrari em uma corrida se decidir sair da largada mais cedo. Pela natureza dos concursos as bancas organizadoras raramente inovam nas questões, de maneira que decorar o conteúdo cobrado de provas anteriores é o melhor método de estudo e o indicativo de como devem ser podem ser exploradas as próximas questões do certame pretendido.

Obviamente não pretendo subestimar as diferenças de inteligência entre as pessoas, e provavelmente a aprovação em um concurso altamente concorrido exija um QI acima da média. Conheci colegas que precisaram de apenas 4 meses de preparação enquanto estudei por mais de dois anos. Minha intenção é encorajar aqueles que decidiram por encarar esta árdua tarefa a não desanimarem ao perceber que não são os mais dotados intelectualmente. Como diria o célebre Sherlock Holmes, o gênio é aquele que possui a capacidade infinita para esforçar-se. Gostaria que escrevessem nos comentários o que pensam sobre este assunto e, se quiserem, compartilhem as dificuldades que enfrentam para podermos discuti-las em outra oportunidade.

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