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Engenharia

Obras Aeroportuárias – Quantificação de Fluxos

By 11 de fevereiro de 2019 No Comments

1. Introdução

O processo de quantificação de áreas físicas e de unidades de processamento se divide inicialmente em dois subprocessos complementares: um pré-dimensionamento e o dimensionamento em si.

No pré-dimensionamento são utilizados índices globais que apontarão a ordem de grandeza das quantidades em questão, servindo assim apenas como referência para o planejador ou operador do Terminal de Passageiros (TPS).

Exemplos:

  • 18,0 a 24,0 m²/pax na hora-pico – FAA;
  • 25,0 a 30,0 m²/pax na hora-pico – IATA.

Já no caso do dimensionamento e/ou avaliação da capacidade de componentes do TPS, existem vários métodos em que, dependendo dos dados disponíveis e da óptica da análise a ser executada, se utilizam modelos diferentes.

2. Teoria de Filas

Os métodos de Teoria de Filas, que podem ser determinísticos ou estocásticos, quantificam os tempos de chegada de passageiros aos pontos de processamento, bem como o número de passageiros na fila formada e o tempo de espera até o mesmo ser atendido segundo uma taxa de serviço definida. Com a Teoria de Filas pode-se estimar atrasos e tempos de processamento que, assim, resultam em áreas físicas dos componentes em questão.

Esses modelos são típicos para uso no check in e na área de restituição de bagagens. Um exemplo determinístico desse método é descrito a seguir.

“A partir de uma pesquisa tem-se que a distribuição de chegada de passageiros ao balcão de check-in de um determinado tipo de voo é dada pela curva de chegada (Passengers Arrived da figura abaixo), que mostra a chegada de passageiros acumulada em função da antecedência à HPP (Hora Prevista de Partida). Também através de medidas experimentais se determina que o atendimento de um balcão de check in é dado pela curva de serviço (Speed of Service da figura abaixo), no caso suposta constante (inclinação da reta).”

Figura 1: Teoria de Filas.

3. Modelo de Hora-Pico

Entre os modelos empíricos mais difundidos estão os baseados no conceito de “Hora-Pico”. Este conceito fundamenta-se no fato de que o TPS não será projetado para o maior movimento instantâneo previsto e sim para um valor representativo de intensa movimentação que ocorre com alguma frequência.

A seguir, algumas das definições de “Hora-Pico” (Kazda & Caves, 2008):

  • DAC – hora mais ocupada do dia médio do mês pico;
  • FAA – hora pico do dia médio do mês pico;
  • IATA – segunda hora mais ocupada da semana média do mês pico;
  • Typical Peak-Hour Passenger (TPHP) – 20% do movimento diário (pequenos aeroportos), 11% (2 M pax) e 8,6% (grandes aeroportos).

Existem diversas correlações entre o movimento da “Hora-Pico” e o movimento anual. A seguir, apresentam-se duas tabelas, a primeira evidenciando essa correlação segundo a FAA para a TPHP, e a segunda decorrente de estudo na ANAC.

 

Tabela 1: Hora-Pico e Movimento Anual (FAA).

Passageiros Anuais TPHP (% do fluxo anual)
Acima de 30 M 0,035
De 20 M a 29,9 M 0,040
De 10 M a 19,9 M 0,045
De 1 M a 9,9 M 0,050
De 500 mil a 999 mil 0,080
De 100 mil a 499 mil 0,130
Abaixo de 100 mil 0,200

Tabela 2: Hora-Pico e Movimento Anual (ANAC).

Faixa de Demanda Anual Limite Inferior % do fluxo anual
Acima de 8M 0,027
De 3 M a 7,99 M 0,038
De 1M a 2,99 M 0,051
De 400 mil a 999,9 mil 0,070
De 100 mil a 399,9 mil 0,118
Abaixo de 100 mil 0,399

4. Modelo MMS (Momento de Maior Solicitação)

O MMS (Momento de Maior Solicitação) avalia o instante de maior solicitação dos componentes através de propagações e sobreposições dos fluxos relativos aos diversos voos. Procura captar a maior movimentação que realmente ocorre por componente, sempre inferior a carga da hora-pico.

Encontrado o número de passageiros/usuários no momento crítico, utilizam-se índices de dimensionamento, como os já mencionados da FAA e da IATA, para se obter as áreas necessárias. A seguir, vê-se um exemplo desse modelo.

Tabela 3: Taxa de atendimento de check in (5pax/5min por balcão).

Horário Check in chegada Nº de balcões ativos Check in processo Check in

fila

Check in saída
07:30 0 0 0 0 0
07:35 0 0 0 0 0
07:40 0 0 0 0 0
07:45 0 0 0 0 0
07:50 6 1 5 1 5
07:55 0 1 5 0 1
08:00 6 1 5 1 5
08:05 0 1 5 0 1
08:10 36 2 10 26 10
08:15 0 2 10 16 10
08:20 12 2 10 18 10
08:25 0 2 10 8 10
08:30 0 2 10 0 8
máximo 2 máximo 26

Tabela 4: Exemplo de dimensionamento do Check in.

Aeroporto Doméstico Crítico
Nível de Serviço C – Regular Nº Balcões 2
Tempo Atendimento (min/pax) 1 – 2 Fila (pax) 26
Largura do balcão (m/posição) 1,40 Área Check in
Fila (m/pax) 0,70
Circulação (m) 3,00 A = 67,20 m²
Profundidade (m) 2,80

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